28 de maio de 2024

Viúva de Gal Costa diz que cantora deixou herança modesta e que herdeiro é ‘dominado’ por namorada: ‘Está em perigo’

Viúva de Gal Costa diz que cantora deixou herança modesta e que herdeiro é ‘dominado’ por namorada: 'Está em perigo'

Dez alianças adornam o anular esquerdo de Wilma Petrillo, reconhecida pela Justiça como viúva de Gal Costa. Em entrevista ao GLOBO no escritório de sua advogada, Vanessa Bispo, em São Paulo, ela conta que todo ano a cantora comprava alianças para as duas, que, segundo ela, viveram juntas de 1993 até a morte de Gal, em 9 de novembro 2022, e se chamavam de “Tunca”.

Wilma nega que seu relacionamento com Gal fosse tóxico e que administrasse a vida financeira da cantora. Diz que apenas vendia seus shows. Ela também fala sobre a herança da baiana e o rompimento com Gabriel Penna Burgos Costa, de 18 anos, filho único de Gal, que pede na Justiça a anulação da união estável (que tornou a empresária herdeira de Gal). A Justiça negou a exumação dos restos mortais da cantora (solicitada por Gabriel), mas determinou que as circunstâncias da morte sejam investigadas.

Wilma Petrillo no escritório da advogada, em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira

Wilma afirma que Gabriel é “dominado” pela namorada, que ela diz ser a fonoaudióloga Daniela Marcilio Tonani, que seria 30 anos mais velha que ele e mãe de uma ex-namorada dele.

Wilma e alianças: “Até pensamos em casar, mas a preguiça foi maior” — Foto: Maria Isabel Oliveira

Wilma e alianças: “Até pensamos em casar, mas a preguiça foi maior” — Foto: Maria Isabel Oliveira

Gabriel contesta na Justiça que você e a mãe dele vivessem em união estável. Como era o relacionamento de vocês duas?

Eu amava muito a Gal e sei que ela me amava muito também. Todo mundo sabia que éramos esposas. Gabriel e a advogada dele dizem que tivemos um relacionamento breve e que Gal me deixou morando na casa dela porque eu não teria para onde ir. Eu morava lá porque éramos casadas. Eu tenho família em São Paulo, trabalhava para Gal e recebia por isso. Quando Gabriel tinha uns 14 anos, me contou de um amigo cuja mãe também era casada com uma mulher: “Assim como você é casada com a minha mãe, né?” Todo ano Gal e eu trocávamos alianças. Nós nos chamávamos de Tunca. Era Pituca, virou Tuca e depois Tunca. Até pensamos em casar oficialmente, mas a preguiça foi maior.

Por que pediu à Justiça perícia psicológica de Gabriel?

Gabriel sempre foi minha prioridade. Ficamos ainda mais próximos depois da morte da Gal. Um dia, ele me disse que foi a um centro espírita com Daniela e ouviu que os dois tinham sido amantes na encarnação passada. Olha que estupidez! Falei com um amigo que tem um centro espírita e ele me disse que nunca ouviu tamanha bobagem. Depois que ela se enfiou lá em casa, Gabriel veio com uma conversa estranha: “Se você morrer, a herança que você receber da minha mãe fica para os seus irmãos?” Eu sei que isso veio dela.

Gabriel saiu de casa, certo? Vocês ainda mantêm contato?

Ele disse que ia passar uma semana num hotel com Daniela, que precisava ajudá-la. Ela dizia que tinha pânico, que o marido batia nela. No dia seguinte, ele me ligou para dizer onde estava. Perguntei se ele estava se alimentando. Disse que tinha comido estrogonofe. Ele odeia estrogonofe! Lá não tem restaurante, ele esquenta comida congelada no micro-ondas. Comecei a ligar para a Daniela para saber quando aquilo ia acabar. Eles me bloquearam. Ligo para a escola e o Gabriel proibiu que passassem informação. Mas recebi um e-mail informando que ele perdeu várias provas. Meu filho está em perigo. Ele está morando num hotel e é dominado completamente por uma mulher. Isso é, no mínimo, bizarro.

No processo, Daniela diz que fez um empréstimo a você.

Ela pagou contas de água, luz e internet da casa. Minhas reservas tinham acabado. (A advogada informa que Wilma se sustenta com empréstimos de amigos e adiantamentos da gravadora Biscoito Fino.)

Qual é o tamanho do patrimônio deixado por Gal?

Acredite se quiser: eu não administrava o patrimônio dela, só vendia os shows. Ela deixou uma casa no Jardim Europa e dois carros, uma BMW e um Toyota Corolla. Quando conheci Gal, ela tinha um sítio em Petrópolis, quatro salas comerciais no Leblon, uma cobertura em São Conrado e o apartamento da mãe dela, no Rio.

E o que aconteceu com esse patrimônio?

Gal não sabia administrar, fazia péssimos investimentos. A casa do Morro da Paciência, em Salvador, foi uma aquisição lamentável. Pagou um preço absurdo por uma casa sem fundação. A reforma levou dois anos. Ela pedia empréstimo no banco para comprar essas casas, mas empréstimo de banco é impagável, então depois vendia as casas para pagar o banco.

Gal deixou dívidas?

Ainda estamos fazendo o levantamento das dívidas. (A advogada informa que Gal deixou dívidas de IPTU — cerca de R$ 1 milhão —, IPVA e Imposto de Renda).

Gabriel diz que não sabia que Gal tinha câncer.

Nós o poupávamos. Um ano antes de morrer, Gal começou com uma tosse horrível. O médico descobriu um cisto no nariz que precisava ser retirado em cirurgia, mas os exames pré-operatórios acusaram depressão pulmonar obstrutiva crônica e ela precisou fazer um tratamento antes. O médico diagnosticou um tumor maligno, agressivo, e receitou 20 sessões de radioterapia e 12 de quimioterapia. A morte dela foi um choque. Nem Gabriel nem eu conseguimos viver o luto direito.

Segundo relatos publicados na imprensa, você e Gal viviam um relacionamento abusivo. Você a xingaria de “velha”, “gorda” e “burra”, por exemplo.

As pessoas que me acusam de querer aparecer querem alguém para culpar. Sou uma pessoa bem educada. Não trato mal nem as pessoas de quem não gosto. Gal era a pessoa mais importante do mundo para mim. Quando eu tive câncer, ela me apoiou, ficou no hospital comigo, chorava mais que eu. Por que eu iria machucá-la, chamá-la de burra? Ela tinha uma intuição incrível. Velha e gorda? Isso eu também estou.

Também acusam você de influenciar negativamente escolhas artísticas de Gal. Quando ela decidiu gravar com novos compositores, você teria dito que Marília Mendonça era uma “caipira”?

Eu não influenciava, só dava palpites. Todo mundo diz que Gal era frágil, que eu a manipulava, mas ela sabia o que queria. Nunca eu iria dizer que ela não podia gravar com novos compositores! A Marília Mendonça era uma pessoa adorável, uma doçura, chegou no estúdio com um ramalhete de flores. Por que eu diria que ela é uma caipira?

Gabriel diz que Gal queria ser sepultada no Rio. Você se arrepende de não tê-la submetido a uma autópsia ou de enterrá-la em São Paulo?

Não. Se eu tivesse deixado fazerem autópsia, eu não ia dormir à noite. Essa não era a vontade de Gal. Eu te juro: ela não queria ir para o Rio. Ela tinha outros planos para aquele jazigo, que só não conseguiu efetuar porque uma tia dela foi enterrada lá. Quem é que estava em casa ouvindo a vontade de Gal? Só eu.

Quais são as suas principais lembranças de Gal?

Ela chegando no quarto cantando “Morena do mar”, “Meu bem, meu mal” ou “A handful of stars”, de Nat King Cole. Ela cantava bem em inglês.

Justiça manda investigar morte da cantora

A Justiça negou o pedido de exumação dos restos mortais de Gal Costa — como solicitado em março pelo filho dela, Gabriel Penna Burgos Costa —, mas determinou a investigação das circunstâncias da morte da cantora para apurar se houve crime. Gabriel pediu a exumação porque haveria “dúvida razoável” sobre a causa da morte. No entanto, a decisão judicial assinada pela juíza Leticia de Assis Bruning, à qual o GLOBO teve acesso, afirma que o “pedido extrapola a esfera administrativa e registral de atuação deste Juízo, pois a questão trazida pelo requerente não é apenas registral, mas também notícia-crime”.

Em nota, a defesa de Gabriel comemorou a decisão judicial. “Sua família e seus fãs têm o direito de saber a verdade dos fatos”, afirma o texto.

Informada sobre as afirmações de Wilma Petrillo na entrevista acima, a equipe jurídica do filho de Gal enviou a seguinte nota: “A defesa de Gabriel lamenta a divulgação de mentiras e a exposição de questões pessoais da sua vida particular, alheias aos fatos do processo, para sustentar uma narrativa que não condiz com a realidade nem tem relevância para o caso. Isso demonstra também claro desprezo pelo bem-estar de Gabriel.”

Daniela Marcilio Tonani não retornou os contatos da reportagem. A um portal de notícias, Luci Vieira Nunes, advogada de Gabriel, disse que a fonoaudióloga é “uma pessoa honesta e um apoio inestimável para ele” e que “não precisa da herança minguada” do filho de Gal.

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