ChefÔes do PCC foram mortos com 100 punhaladas na cadeia, mostra laudo

Acusados de planejar atentados contra autoridades, os chefĂ”es do PCC Nefo e RĂȘ foram mortos dentro da cadeia, no interior paulista, em junho

Por MetrĂłpoles 03/07/2024

Acusados de integrarem a cĂ©lula de elite responsĂĄvel por ataques contra autoridades, os chefĂ”es do Primeiro Comando da Capital (PCC) Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Sousa, o RĂȘ, ambos de 48 anos, foram mortos com pelo menos 101 punhaladas, segundo mostra laudo necroscĂłpico das vĂ­timas.

pcc

Nefo e RĂȘ foram executados dentro da PenitenciĂĄria 2 de Presidente Venceslau, cadeia considerada de segurança mĂĄxima no interior paulista, por volta das 12h40 de 17 de junho. Segundo a investigação, as mortes foram cometidas por quatro presos ligados ao PCC – todos com histĂłrico de homicĂ­dios e comportamento carcerĂĄrio considerado pĂ©ssimo.

De acordo com a perĂ­cia, os dois chefĂ”es da facção foram vĂ­timas de esgorjamento (corte na parte da frente do pescoço), sofreram dezenas de outras perfuraçÔes, principalmente na regiĂŁo do abdĂŽmen, e morreram de hemorragia. Em RĂȘ, o mĂ©dico legista encontrou 57 lesĂ”es. JĂĄ em Nefo, foram ao menos 44 perfuraçÔes.

Os assassinatos foram cometidos com um canivete e um punhal artesanal. Os líderes do PCC respondiam na Justiça pelo plano contra o senador Sergio Moro (União-PR).

Hå suspeita de que eles acabaram mortos, a mando do próprio PCC, justamente porque o planejamento falhou. A Polícia Civil ainda investiga quem seria o mandante das execuçÔes.

ExecuçÔes

O MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP) denunciou os presos Luis Fernando Baron Versalli, o BarĂŁo, de 53 anos, Ronaldo Arquimedes Marinho, o Saponga, 53; Jaime Paulino de Oliveira, o JaponĂȘs, 47, e Elidan Silva Ceu, o Taliban, 45. Em depoimento Ă  polĂ­cia, todos negaram participação nos crimes.

O caso ainda é investigado pela Delegacia Seccional de Presidente Venceslau. Para esclarecer a dinùmica do crime, os policiais assistiram a imagens do circuito de segurança da cadeia. As cùmeras analisadas ficam instaladas na porta de um banheiro e no påtio do pavilhão 1.

Segundo o registro, as imagens mostram que RĂȘ e os quatro indiciados entram no banheiro, que tambĂ©m Ă© usado como “barbearia” pelos presos, na ĂĄrea do banho de sol. Pouco depois, sĂł os suspeitos deixam o local.

JĂĄ o segundo vĂ­deo mostra BarĂŁo, Saponga e JaponĂȘs se movimentando no pĂĄtio. Em dado momento, eles perseguem e atacam Nefo, enquanto Taliban permanece prĂłximo da “gaiola” para evitar que a vĂ­tima consiga fugir.

RĂȘ foi encontrado dentro do banheiro, de barriga para baixo, com diversos ferimentos e sinais de luta corporal. Por sua vez, o corpo de Nefo ficou estirado no pĂĄtio de sol.

Sintonia Restrita

Nefo e RĂȘ eram acusados de fazer parte da Sintonia Restrita, cĂ©lula de elite do PCC que monitora e planeja ataques contra autoridades do Brasil. Com treinamento de guerrilha e Ă  frente de missĂ”es sigilosas e de alto risco, o grupo responde diretamente aos integrantes do mais alto escalĂŁo da facção.

Eles estavam presos desde a Operação Sequaz, deflagrada pela PolĂ­cia Federal (PF) em março de 2023, que desmantelou o plano contra Moro e a famĂ­lia do senador. O promotor Lincoln Gakiya, do MPSP, considerado referĂȘncia no combate Ă  facção criminosa, era outro alvo do bando.

Na investigação, Nefo foi apontado como coordenador da célula. Ele também tinha outras passagens por roubo, motim e cårcere privado.

JĂĄ RĂȘ exercia cargo de liderança no PCC hĂĄ mais de 20 anos e foi denunciado por ataque contra policiais. Ao MetrĂłpoles, o advogado Anderson dos Santos Domingues, que era responsĂĄvel pela sua defesa, afirmou que o cliente nĂŁo mencionou qualquer ameaça na P2 de Presidente Venceslau.

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