IncĂȘndios florestais no Brasil queimam uma cidade do Rio a cada 5 dias

Em nĂșmeros absolutos, ĂĄrea atingida totalizou 4,48 milhĂ”es de hectares. AmazĂŽnia foi o bioma mais afetado, seguido do Cerrado e do Pantanal

Por MetrĂłpoles 15/07/2024

As queimadas no primeiro semestre deste ano no Brasil consumiram 4,48 milhĂ”es de hectares. É como se, a cada 4,9 dias, toda a ĂĄrea do municĂ­pio do Rio de Janeiro fosse atingida pelo fogo. A mĂ©dia do territĂłrio em chamas Ă© de 246,37 kmÂČ, e a cidade ocupa 1.200 kmÂČ.

O dado faz parte do levantamento Monitor do Fogo, do MapBiomas, que apurou as ocorrĂȘncias de queimadas em todo o territĂłrio nacional no primeiro semestre deste ano. O aumento Ă© de 529% na comparação com anos anteriores.

IncĂȘndios florestais no Brasil queimam uma cidade do Rio a cada 5 dias

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Os pesquisadores apuraram que 78% das queimadas ocorreram em åreas de vegetação nativa. RegiÔes de pastagem e outros usos completam o total.

Apesar de o Pantanal ter ganhado mais espaço no noticiårio pelo aumento brusco nas queimadas por lå, o bioma com a maior årea atingida é a AmazÎnia. A årea queimada foi de 2,97 milhÔes de hectares, o que equivale a 66% de tudo o que foi consumido no Brasil.

O Cerrado aparece em seguida, com 947 mil hectares queimados. No bioma, o aumento foi de 48% na comparação com o mesmo perĂ­odo do ano passado. Do total, 72% das ocorrĂȘncias de fogo se deram em ĂĄrea de vegetação nativa.

Pantanal

O Pantanal perdeu 468 mil hectares de ĂĄrea para as chamas no primeiro semestre deste ano, e 79% deles foram somente em junho. Foram 3.568 ocorrĂȘncias do tipo, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

HĂĄ preocupação especial com o Pantanal, pois, historicamente, o pico Ă© registrado em agosto, e a quantidade de incĂȘndios estaria escalando em julho. No entanto, este mĂȘs começou com uma situação menos dramĂĄtica na comparação com o anterior. Foram 394 notificaçÔes atĂ© esta quinta. O bioma chegou a passar a quarta-feira (10/7) sem nenhum registro de fogo.

Os pesquisadores observaram que, no início do ano, as queimadas mais presentes aconteceram na AmazÎnia, mas, com o avanço da estação seca no Cerrado e no Pantanal, estes ganharam destaque no quesito.

A seca no Pantanal tem dois componentes importantes e relacionados entre si. O primeiro deles é a maior seca registrada em 2024 no período de 70 anos, conforme a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As precipitaçÔes reduzidas fizeram a årea coberta por ågua recuar 61%, em 2023, na comparação com a média histórica, conforme a rede MapBiomas.

“Em 2024, nĂłs nĂŁo tivemos o pico de cheia. O ano registra um pico de seca, que deve se estender atĂ© setembro. O Pantanal em extrema seca jĂĄ enfrenta incĂȘndios de difĂ­cil controle”, ressalta o coordenador da equipe Pantanal do MapBiomas, Eduardo Rosa.

Eduardo lista uma série de açÔes que podem ser planejadas estrategicamente para prevenir e combater o fogo no bioma, mas que se aplicariam a outras realidades. São elas: manejo integrado do fogo, queimadas controladas, aceiros, monitoramento e detecção precoce, educação ambiental, sensibilização social, campanhas de conscientização das populaçÔes e comunidades sobre o uso do fogo e capacitação de brigadas.

Outros biomas

A Mata AtlĂąntica teve 73 mil hectares queimados no semestre, e o Pampa, 1.145 hectares, o menor valor dos Ășltimos seis anos para o perĂ­odo. Na Caatinga, a situação Ă© de aumento. Foram 16.229 hectares atingidos pelo fogo.

Junho teve o dobro de fogo na comparação com o mesmo mĂȘs do ano passado. Em nĂșmeros absolutos, foram 1,1 milhĂŁo de hectares.

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