“Minha vida parou”, diz mulher que teve perna amputada após racha

Massoterapeuta teve a perna arrancada por carro de luxo, que supostamente disputava um racha na regiĂŁo de Barueri, na Grande SĂŁo Paulo

Por MetrĂłpoles 13/08/2024

Habituada a uma rotina de atividades fĂ­sicas e de movimentos constantes, que exigiam bastante de suas pernas, a massoterapeuta Maria Graciete Alves AraĂșjo, de 36 anos, viu sua vida virar de ponta cabeça apĂłs ser atropelada e ter a perna esquerda amputada por um carro de luxo, que supostamente disputava um racha em Barueri, na Grande SĂŁo Paulo, no dia 20 de maio deste ano.

O empresårio Carlos André Pedroni de Oliveira dirigia um Mercedes-Benz, em alta velocidade, quando atingiu a traseira do mototåxi de Arlison da Silva Correia, de 32 anos, que transportava Maria Graciete em uma corrida de aplicativo. O impacto foi tão forte que a perna dela foi arrancada na hora.

“Minha vida parou”, diz mulher que teve perna amputada após racha

Arquivo Pessoal

Em entrevista ao Metrópoles, a massoterapeuta afirmou nessa segunda-feira (12/8) que sua recuperação estå lenta. Ela se esforça para se locomover de muletas e retomar a rotina, agora com a mobilidade reduzida.

“Minha vida parou. Tinha uma vida muito agitada e ficar parada Ă© muito difĂ­cil”.

Carlos AndrĂ© e Roberto Viotto, conhecido como “dentista dos famosos”, o outro suposto participante do racha, nĂŁo prestaram socorro Ă s vĂ­timas e negam a realização de uma corrida ilegal.

O empresĂĄrio, que tinha um arsenal de armas em casa, apreendido pela polĂ­cia, se apresentou na delegacia somente 40 horas apĂłs o crime. Ele foi indiciado por lesĂŁo corporal gravĂ­ssima, fuga do local de acidente e omissĂŁo de socorro.

Logo apĂłs prestar depoimento, ele concedeu uma breve entrevista aos jornalistas no 2Âș DP de Barueri na qual afirmou que seu foco, na ocasiĂŁo, era “localizar e dar apoio Ă s vĂ­timas”.

Promessa descumprida

Maria afirmou ao Metrópoles que não foi procurada pelo empresårio até agora. O mototaxista disse a mesma coisa, também nessa segunda-feira.

“O setor pĂșblico ainda nĂŁo ajudou [com auxĂ­lio acidente], nem as pessoas que me acidentaram sequer me procuraram. SĂł meus amigos [prestaram apoio]. EstĂĄ difĂ­cil”, afirmou a massoterapeuta.

Ela recebia por serviços prestados como autÎnoma. Pelo fato de estar impossibilitada de trabalhar, porque precisa focar em sua reabilitação, ela estå sem fonte de renda.

“Só não estou morando na rua porque meus amigos estão me ajudando”.

A falta de apoio, tanto pĂșblico como o prometido pelo suspeito, interferem tambĂ©m na rotina de recuperação da vĂ­tima. Ela explicou que precisaria fazer trĂȘs sessĂ”es semanais de fisioterapia, mas sĂł consegue fazer uma.

“Tudo Ă© pago. Preciso pagar pelo transporte e nĂŁo estou com condiçÔes porque estou sem fonte de renda. Ele [empresĂĄrio] deve estar levando sua vida normalmente”.

TrĂȘs advogados fazem a defesa de Carlos AndrĂ©. Eles foram questionados pela reportagem na tarde dessa segunda-feira, mas nĂŁo haviam se manifestado atĂ© a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Ao MetrĂłpoles, Roberto Viotto, o “dentista dos famosos”, negou na ocasiĂŁo estar disputando um racha e disse que, apesar de nĂŁo ter visto o acidente, Carlos AndrĂ© fugiu do local com o motor arrastando no chĂŁo.

“Não consegui dormir”

O condutor da moto conversou com o Metrópoles na manhã seguinte após ter alta hospitalar.

Arlison lembra que foi buscar a massoterapeuta em frente a um prédio comercial. Ela pretendia voltar para casa, no bairro Engenho Novo, em Barueri. Depois disso, o motociclista também pretendia voltar para casa, em Santana de Parnaíba.

Minutos após começarem a trafegar pela Alameda Rio Negro, Arlison afirmou ter sentido uma pancada “do nada”, na traseira de sua moto.

“Fui projetado no ar. A lembrança Ă© como se fosse em cĂąmera lenta, machuquei os dois calcanhares, os dois cotovelos e a cabeça. Minha moto foi parar a uns 50 metros de mim. Quando olhei para o lado, vi a Maria, sem a perna. Isso nĂŁo sai da minha cabeça”.

O motociclista chegou a ser levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após um princípio de hemorragia cerebral ser identificado em uma tomografia. Ele ficou em observação por 24 horas e foi liberado, no fim da tarde do dia 22 de maio.

Testemunhas disseram Ă  polĂ­cia que dois carros de luxo disputavam um “racha” quando um deles atropelou a moto. Segundo a Prefeitura de Barueri, a velocidade mĂĄxima permitida na Alameda Rio Negro, onde houve o atropelamento, Ă© de 40 km/h.

O caso foi registrado pela PolĂ­cia Civil como disputa de racha, lesĂŁo corporal, omissĂŁo de socorro e fuga. A Secretaria da Segurança PĂșblica (SSP) afirmou, nessa segunda-feira, que o 2Âș DP de Barueri trabalha para concluir o inquĂ©rito e “esclarecer os fatos”.

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