Biden comemora fim do regime de Assad, mas diz que momento Ă© de ‘riscos e incertezas’

Segundo agências internacionais russas, Assad está com a família em Moscou, após ver Síria dominada por rebeldes

Por G1 08/12/2024 Ă s 18:12

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez seu primeiro discurso público desde que o ditador Bashar al-Assad, que estava há 24 anos no poder, fugiu da Síria. Neste domingo (8), ele falou sobre a tomada de Damasco pelo grupo de rebeldes HTS, liderado por Mohammed al-Golani.

Biden comemora fim do regime de Assad, mas diz que momento Ă© de 'riscos e incertezas'

Biden comemora fim do regime de Assad, mas diz que momento Ă© de ‘riscos e incertezas’. Foto: Reprodução

“AtĂ© que enfim, o regime de Assad acabou”, afirmou Biden. “Este Ă© um momento de riscos e incertezas. Os EUA trabalharĂŁo com parceiros e interessados para ajudá-los a aproveitar esta oportunidade.”

Segundo a RĂşssia, Assad, que estaria em Moscou com a famĂ­lia, instruiu que haja uma transição de poder “pacĂ­fica”.

“Assad e sua família chegaram a Moscou. A Rússia, por razões humanitárias, concedeu-lhes asilo”, disse uma fonte do Kremlin, disse a agência TASS.

Biden criticou o apoio que a prĂłpria RĂşssia, o IrĂŁ e o Hezbollah concederam ao regime sĂ­rio. TambĂ©m mencionou o jornalista americano Austin Tice, que estaria preso na SĂ­ria apĂłs ter sido sequestrado, há 12 anos, enquanto fazia uma reportagem sobre Assad. “Acreditamos que ele esteja vivo”, disse o presidente.

O que outros lĂ­deres disseram?

AlĂ©m de Biden, outros lĂ­deres internacionais pronunciaram-se: Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, disse que o paĂ­s nĂŁo se envolverá no conflito; já Israel busca proteger a regiĂŁo das Colinas de GolĂŁ, que estĂŁo sob seu domĂ­nio desde 1967. A RĂşssia afirma que Assad deu ordens para uma transição pacĂ­fica no poder; enquanto a França comemora “o fim do estado de barbárie”.

Veja os posicionamentos de cada paĂ­s:

França: comemoração pela queda

A França “saúda a queda do regime de Bashar al-Assad” depois de “mais de 13 anos de repressão extremamente violenta contra o seu próprio povo”, reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Christophe Lemoine .

No X, o presidente Emmanuel Macron postou: “O estado de barbárie caiu. Finalmente. Presto homenagem ao povo sĂ­rio, Ă  sua coragem, Ă  sua paciĂŞncia. Neste momento de incerteza, desejo-lhe paz, liberdade e unidade. A França continuará comprometida com a segurança de todos no Oriente MĂ©dio.”

Estados Unidos: Trump nĂŁo quer ‘se meter’

De acordo com o jornal “The New York Times”, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional afirmou que o presidente americano Joe Biden está “monitorando de perto os eventos extraordinários na SĂ­ria”.

Mais cedo, antes da fuga de Assad, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que tomará posse em janeiro, disse que o país não deve se envolver no conflito.

“Assad se foi. Ele fugiu de seu paĂ­s. Sua protetora, RĂşssia, liderada por Vladimir Putin, nĂŁo estava mais interessada em protegĂŞ-lo”, escreveu Trump em uma rede social. “NĂŁo havia mais razĂŁo para os russos colocarem [a SĂ­ria] em primeiro lugar. Perderam o interesse por causa da Ucrânia.”

Israel: preservação das fronteiras

As Forças de Defesa de Israel disseram, neste domingo (8), que não interferirão nos conflitos internos da Síria, mas que protegerão a região das Colinas de Golã, adjacentes ao país e conquistadas pelos israelenses em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

“Não serão toleradas ameaças perto da fronteira israelense”, disse o exército israelense em comunicado.

IrĂŁ: invasĂŁo de embaixada

Segundo a TV estatal do IrĂŁ, a embaixada do paĂ­s em Damasco foi invadida por um grupo armado que “agora controla a maior parte da SĂ­ria [ou seja, o Hayat Tahrir al-Sham – HTS]”.

Os meios de comunicação árabes e iranianos compartilharam imagens do interior das instalações da embaixada, onde os agressores vasculharam móveis e documentos, além de danificar algumas janelas.

Rússia: informações sobre Assad

Segundo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Assad deixou a Síria e deu instruções para uma transição pacífica no poder.

Turquia: reflexĂŁo sobre oportunidade perdida

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, diz que o governo do ex-líder Bashar al-Assad deveria ter aproveitado uma pausa nos combates para “reconciliar-se” com o povo sírio, relata a Al Jazeera.

Egito: apoio aos sĂ­rios

De acordo com a Reuters, o governo do Egito “apela a todas as partes da SĂ­ria para preservar o estado e as instituições nacionais”. O comunicado diz ainda que o paĂ­s acompanha a situação com muito cuidado e “está ao lado do povo sĂ­rio, para apoiar sua soberania.”

Brasil: monitoramento de brasileiros na SĂ­ria

Em nota divulgada pelo Itamaraty no sábado (7), o governo brasileiro afirma que “acompanha, com preocupação, a escalada de hostilidades na SĂ­ria. Exorta todas as partes envolvidas a exercerem máxima contenção e a assegurarem a integridade da população e da infraestrutura civis”.

“O Brasil reitera a necessidade de pleno respeito ao direito internacional, inclusive ao direito internacional humanitário, bem como Ă  unidade territorial sĂ­ria e Ă s resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, diz o texto.

“O Brasil apoia os esforços para solução polĂ­tica e negociada do conflito na SĂ­ria, que respeitem a soberania e a integridade territorial do paĂ­s.”

O Itamaraty, por meio da Embaixada em Damasco, monitora a situação dos brasileiros na Síria.

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