No despacho que instaurou o inquĂ©rito para investigar R$ 4,2 bilhões em emendas bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a PolĂcia Federal (PF) citou suspeitas aventadas por quatro parlamentares para justificar a abertura da investigação. O bloqueio desse montante foi determinado pelo ministro Flávio Dino, relator da ação que visa estabelecer regras mais rĂgidas de transparĂŞncia para as transferĂŞncias feitas pelo Congresso.
No resumo dos fatos investigados, a PF escreveu: “Apurar possĂveis práticas criminosas na liberação/destinação de emendas parlamentares, notadamente a partir de suspeitas aventadas pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), e pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), JosĂ© Rocha (UniĂŁo-BA) e Glauber Braga (PSol-RJ). Valor a apurar: R$ 4.200.000.000,00”.
Dino citou, na sua decisĂŁo, declarações dadas pelos deputados JosĂ© Rocha e Adriana Ventura afirmando que os parlamentares das comissões temáticas nĂŁo tinham participação na escolha das emendas do colegiado. O estopim foi um documento enviado por lĂderes partidários referentes a mais de 5 mil emendas de comissĂŁo, mesmo com as reuniões dos colegiados suspensas na Ăşltima semana de votação.
Glauber Braga entrou com um mandado de segurança no STF. “A ausência de aprovação prévia e registro formal pelas comissões configura usurpação de competência e descumprimento do rito legal, comprometendo a transparência e a rastreabilidade necessárias à execução orçamentária. Tal conduta afronta, ainda, as decisões proferidas por esta Corte no âmbito da ADPF 854, que vedam a destinação de recursos sem transparência formal e identificação dos responsáveis”, argumentou o parlamentar.
Na decisão que bloqueou o pagamento dos R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão, Dino cita uma fala do senador Cleitinho em plenário, no dia 17 de dezembro: “Queria até sugerir aqui no Senado uma CPMI das emendas parlamentares. (…) O que a gente tem que fazer com essas emendas que são pagas é trazer transparência para a população. Não é deixar esses lobistas desviando dinheiro público, ganhando dinheiro fácil em cima de emenda parlamentar. Que seja investigado. Que a PF investigue tudo”.
Movimento “certeiro”
Como mostrou a coluna, lideranças do Centrão consideram que Dino fez uma nova ofensiva contra o Congresso num momento certeiro. Quando o magistrado bloqueou as emendas em agosto, o Legislativo estava em pleno funcionamento. Na ocasião, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reagiu e destravou uma Proposta de Emenda à Constituição que limita decisões de ministros do STF.
O novo bloqueio, porĂ©m, aconteceu num momento diferente. O Congresso entrou em recesso na Ăşltima segunda-feira (23/12) e, tanto na Câmara quanto no Senado, há vácuo de poder. Ao mesmo tempo em que Arthur Lira e Rodrigo Pacheco estĂŁo de saĂda, as duas Casas sĂł elegerĂŁo seus novos presidentes em fevereiro de 2025.


