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O concurso da SEFAZ e a importância da administração tributária

Por Victor de Oliveira

No último dia 10 de janeiro foi publicada a Lei Orçamentária Anual (LOA) – o orçamento público que guiará o Estado do Acre em 2025. Sancionada pelo governador Gladson Cameli, a LOA prevê um pouco mais de 12 bilhões de reais para serem gastos nas áreas que demandam investimentos públicos. Nesse sentido, talvez seja evidente a importância que o tripé educação-saúde-segurança terá na repartição do orçamento, mas pouco se fala de outras áreas públicas, como a administração tributária. Você sabe qual a importância do trabalho da Secretaria de Fazenda na gestão dos recursos públicos?

A SEFAZ representa o coração da administração pública. Não há educação, se antes não houver a Fazenda para gerir o dinheiro. Não há saúde, se antes não houver a Fazenda para controlar a contabilidade geral do Estado. Não há segurança, se antes não houver a Fazenda para encaminhar os processos tributários que geram receita. Na verdade, não haveria os tais 12 bilhões no caixa do governo, se não fosse o trabalho árduo dos auditores fiscais, especialistas da fazenda, contadores e técnicos da SEFAZ.

Não obstante a falta de investimentos na SEFAZ, fruto de descaso por parte de governos anteriores, o atual governo realizou, em 2024, um concurso público para preenchimento das enormes lacunas de servidores da casa, mostrando, assim, alguma preocupação com a Secretaria que cuida do dinheiro. Contudo, desde setembro de 2024 o concurso está parado, prejudicando os aprovados, assim como prejudicando o próprio Estado, que precisa de um fisco forte.

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Basta que façamos uma breve pesquisa no Portal da Transparência do governo estadual para observarmos, com perplexidade, que atualmente trabalham na Secretaria apenas 7 (sete) especialistas da fazenda – responsáveis por todo – todo mesmo – trabalho-meio de gestão tributária – o mais jovem, com incríveis 40 anos de serviço. Nesse sentido, por que não nomear os recém aprovados para o fortalecimento da Secretaria?

Para além de uma crítica vaga ao governo, ou uma defesa enfática da SEFAZ, o que temos em perspectiva aqui é a sustentabilidade do Acre. Sem um time competente gerindo o dinheiro público, todas as demais secretarias, autarquias, fundações e empresas estatais terão problemas. A questão é apenas de priorizar o que deve ser priorizado: Sabemos que indicações políticas para cargos comissionados são importantes em uma democracia – e não os demonizamos – mas com outros tantos setores públicos… não seria mais responsável conceder a responsabilidade pelo nosso orçamento para servidores efetivos, especialistas nas áreas técnicas e tributárias?

Fato é que apesar da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Estado precisa seguir e se desenvolver, até porque somente com o trabalho dos servidores da SEFAZ se torna possível o aumento da arrecadação pública, que garante a solução das demandas de nosso povo. Assim, esperamos que a conhecida sensibilidade do governador Gladson Cameli possa encaminhar a rápida nomeação dos aprovados, em um diálogo fraterno com o nosso Tribunal de Contas e a nossa Assembleia Legislativa – antes que haja um apagão na arrecadação e gestão tributária estadual, como recentemente denunciado em audiência pública.

Não se trata de privilegiar a SEFAZ em detrimento das demais Secretarias, visto que a própria Constituição Federal obriga essa prevalência: “a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.” (artigo 37º, XVIII). Assim, além de equivocadas, são também inconstitucionais e ilegais todas as ações governamentais que afastam as nomeações – até o mais bobo dos gestores públicos sabe que de nada adianta economizar prejudicando logo a Secretaria que arrecada o dinheiro…

Esse não é o Acre dos nossos sonhos – ainda – mas é o Acre que temos, e por isso, é nosso dever defender a gestão pública eficiente, que prioriza o que é mais importante, independente de quem seja o político da vez, pois não se trata apenas da SEFAZ: estamos falando de dinheiro para solução das minhas e das suas demandas, uma gente que trabalha e produz, que canta na rua e que tem fé que a vida sempre vai melhorar.

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