Felipe Freire, que se identifica como gay e andrógino, atua como pastor na Igreja Contemporânea, que acolhe e inclui pessoas da comunidade LGBT. Nessa terça-feira (28/1), a igreja publicou um vídeo de uma pregação do pastor. Com mais de 270 mil vizualizações, Felipe tem sofrido uma onda de ataques nos mais de 3 mil comentários. Porém, essa não é a primeira vez que ele é ameaçado.
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Reprodução redes sociais
A Igreja Contemporânea afirma ter a intenção de acionar judicialmente os responsáveis pelos comentários.
Entenda o caso
- Felipe Freire é pastor da Igreja Contemporânea há 12 anos. Porém, nos últimos 9 meses, ele tem sido alvo de uma onda de ataques homofóbicos nas redes sociais.
- De acordo com Felipe, tudo começou depois que um primeiro vídeo viralizou. Na gravação ele estava cantando louvor.
- No novo vídeo viralizado nesta semana, o pastor aparece vestindo terno azul, salto alto e cabelos longos, e agradece o acolhimento da Igreja.
- Felipe acredita que por quebrar padrões e paradigmas, acaba chamando atenção dos “haters”.
Assista ao vídeo publicado pela Igreja Contemporânea:
No vídeo, Felipe aparece vestindo um terno azul, salto alto e cabelos longos.
“O inferno em festa vendo isso”, comentou uma pessoa. “Esta adorando em vão, no dia do juízo Jesus Cristo vai dizer ‘aparta-te de mim que não vos conheço’”, afirmou outra.
“Deus criou o homem e a mulher. Depois disso, tudo é coisa do coisa ruim”, disse um usuário. “Misericórdia, tomei um susto quando virou! Gente negócio tá difícil!”, respondeu outro internauta.
Felipe conversou com Metrópoles e contou ter perdido a irmã há um ano para o suicído. “Todos os dias eu peço a Deus para me dar força para continuar. E, se não fosse Deus e a minha rede de apoio, não sei se teria psicológico para tudo isso”, desabafou.
Ameaça de morte
“Todos os dias eu sofro algum ataque. Se eu postar algo agora, daqui a pouco vem alguém me xingar, me humilhar. Já fui ameaçado de morte, que se me encontrassem na rua iriam me bater. Me chamam de tudo quanto é nome”, desabafa Felipe. “Eu acredito muito que o amor de Deus é para todos. Eu não sou um projeto falido. Deus não me fez assim para ser condenado”, acrescenta.
O pastor diz não ter medo das ameaças, mas que fica assustado com a quantidade dos ataques. “A quantidade de pessoas ruins que estão na internet [me assusta]. A gente percebe que as pessoas estão perdidas e doentes ao ponto de falar coisas de pessoas que elas nem conhecem. E, pessoalmente, eu acredito, elas dificilmente teriam coragem de falar essas coisdas na minha cara”.
Ao Metrópoles, a Igreja Contemporânea afirmou que, diante da gravidade dos ataques, o departamento jurídico da instituição já iniciou movimentações para acionar legalmente algumas das pessoas responsáveis pelos comentários ofensivos.
A igreja reforçou que “a internet não é uma terra sem lei e que discursos de ódio podem resultar em consequências jurídicas”.
“A Igreja Contemporânea segue sua missão de acolhimento e reafirma que sua mensagem é baseada no amor, no respeito e na inclusão, valores fundamentais do Evangelho”, finaliza a nota.