Advogado diz que defesa de militares acusados do assassinato de Géssica quer criminalizar a vítima

Além da reconstituição do crime, defensores dos PMs querem histórico médico, prontuårio da CNH e processos criminais da enfermeira assassinada; juiz negou todos os pedidos

Por TiĂŁo Maia, Contilnet 19/02/2025 Ă s 06:30 Atualizado: hĂĄ 1 ano

“Eles querem apenas tumultuar o processo”, disse, nesta terça-feira (18), em BrasĂ­lia, o advogado Walisson dos Reis Pereira, referindo-se aos policiais militares Cleonizio Marques Vilas Boas e Gleyson Costa de Souza, acusados pelo assassinato, em dezembro de 2023, da enfermeira GĂ©ssica Melo de Oliveira, assassinada aos 32 anos de idade, durante uma abordagem policial na BR-317, entre os municĂ­pios de Capixaba e Senador Guiomard.

Advogado diz que defesa de militares acusados do assassinato de Géssica quer criminalizar a vítima

Géssica Melo de Oliveira/Foto: Reprodução

AlĂ©m de pedirem a reconstituição da ocorrĂȘncia que resultou na morte da vĂ­tima, os advogados de defesa dos militares acusados pediram a apreensĂŁo das armas de agentes da PolĂ­cia RodoviĂĄria Federal (PRF), alĂ©m de pedirem o prontuĂĄrio mĂ©dico e da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de GĂ©ssica e ficha criminal. O juiz RomĂĄrio Divino Farias, de Senador Guiomard, em cuja comarca o caso Ă© tratado, negou todos os pedidos ao acatar pedido da defesa de que solicitaçÔes feririam a dignidade da vĂ­tima.

De acordo com o advogado Walisson dos Reis Pereira, ao reapresentarem pedidos jĂĄ anteriormente indeferidos pela Justiça, os advogados dos acusados querem apenas tumultuar o processo porque sabem, segundo ele, “que estĂĄ chegando a hora da verdade”. A hora da verdade seria o julgamento dos acusados pelo Tribunal do JĂșri Popular, ainda a ser marcado este ano. “É que, em abril, dar-se-ĂĄ a audiĂȘncia de instrução e julgamento para saber se os acusados serĂŁo ou nĂŁo pronunciados a irem a JĂșri Popular. Como dificilmente eles escaparĂŁo disso, vĂȘm tentando tumultuar o processo”, afirmou o advogado.

AlĂ©m disso, de acordo com o advogado, os acusados, atravĂ©s da defesa, querem criminalizar a vĂ­tima. AlĂ©m de terem pedido a reconstituição da ocorrĂȘncia que causou a morte e o prontuĂĄrio da CNH, eles pediram tambĂ©m informaçÔes sobre inquĂ©ritos policiais que GĂ©ssica constasse como autora ou acusada. “A enfermeira GĂ©ssica nunca recebeu uma ação penal. Ela Ă© vĂ­tima e eles querem apontĂĄ-la como uma espĂ©cie de causadora da ocorrĂȘncia que causou sua morte”, disse.

“O que os acusados quiseram, com tais pedidos, Ă© criminalizar a vĂ­tima e responsabilizar policiais rodoviĂĄrios federais, que estavam na ocorrĂȘncia, mas estĂĄ provado que eles nĂŁo efetuaram nenhum disparo. Por isso, o juiz atendeu nosso pedido e negou todos os requerimentos atuais”, disse Walisson.

O julgamento dos acusados, em jĂșri popular, vai ocorrer apĂłs esta primeira audiĂȘncia de instrução. “Creio que eles devem ir a jĂșri no mĂĄximo no segundo semestre deste ano”, disse o advogado.

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