Banca do Pelé: conheça a história do homem por trás de uma das bancas mais famosas da cidade

Na banca trabalha, desde seus vinte e poucos anos, Antônio Augusto de Mello, o famoso Seu Pelé

A história de uma cidade é um grande conglomerado dos lugares que a compõem, mas para além de simples estruturas físicas, esses locais são formados pelas pessoas que fazem parte deles.

Seu Pelé está a mais de 50 anos atendendo o público com sua banca/Foto: ContilNet

Não há um rio-branquense que se preze que não viu a Banca do Pelé, localizada entre o palácio Rio Branco e o Novo Mercado Velho, no centro da capital. Lá, desde seus vinte e poucos anos, trabalha Antônio Augusto de Mello, o famoso Seu Pelé, que dá nome ao local.

A primeira história revelada por Antônio é a origem do apelido, que veio ainda muito jovem, por volta dos 10 anos, nos campos de futebol em que jogava quando criança, em referência ao maior jogador de futebol do Brasil, Pelé.

“Jogava muita bola na época de escola e então apareceu esse apelido, de colégio mesmo, apelido de menino. Aos 10, 11 anos de idade já me tornei um rei”, brincou ele acerca do apelido dado ao jogador.

O jornaleiro conta que já caminhou pelo centro da antiga Rio Branco, ainda nos anos 60, quando teve trabalhos anteriores, como engraxate, por exemplo, mas que desde pequeno teve uma ligação especial com os produtos das bancas.

“As pessoas aqui não davam muita importância à cultura mas eu sempre fui muito fanático pela leitura, sempre gostei de ler, apesar de não ter diploma algum. Mas eu me vi, ainda muito jovem, aqui vendendo gibis aqui em frente ao Cine Rio Branco, onde hoje é o Formigão. Eu arrumava eles na casa de umas pessoas me doavam, a gente arrumava um jeito e vendia esses gibis”, revelou

Quando jovem, vendia edições de histórias em quadrinhos clássicas, como Zorro e Tarzan. Conforme foi envelhecendo, o treinador de um time em que ele jogava futebol o convidou para trabalhar com ele, que já mexia com venda de livros e revistas, e assim se consolidou seu caminho, que culminaria no surgimento de uma das bancas mais famosas da cidade.

A banca conta com periódicos do presente e do passado, como forma de relembrar parte da história do Acre e do país/Foto: ContilNet

Mello diz contou ainda que não sabia como faria para lidar com a banca, então juntou suas economias e viajou até São Paulo, para ver como as bancas funcionavam na capital paulista, assim como para fazer contatos e trazer mais material para o estado. 

“Eu trabalho aqui para o futuro, não é pelo passado, o hoje é só o hoje, eu trabalho para o amanhã, o futuro eu acho que é a cidade cultural, tudo aquilo que nós podemos aprender e ensinar com a cultura é muito bom”, disse ele sobre seu próprio ofício, como disseminador de cultura. 

O jornaleiro diz ainda que para ele é um prazer especial ver que mesmo com o passar dos anos as crianças ainda ainda buscam a banca. “Quando passa uma criança aqui perto, com sua mãe e ela vem correndo pedir algo, aquilo mostra a vontade sincera da criança. A criança não pensa muito, ela é só vontade e é bonito ver que ainda tem essa vontade de cultura”, finalizou.

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