Estudo de SC busca promover alternativa inovadora para tratamento de pacientes de AVC

Pesquisadores catarinenses buscaram formas de melhorar o acesso a serviços de saĂșde para pessoas com sequelas motoras

Por NSC Total 01/02/2025

Quando os vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro se rompem de repente ou ficam entupidos por algum motivo, acontece um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A partir deste momento, a vida de uma pessoa pode mudar para sempre, com sequelas cognitivas e físicas. Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sobreviveu ao acidente é a dificuldade de locomoção. E para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) realizaram um estudo focado na telerreabilitação que, nesta semana, ganhou visibilidade mundial.

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AVC pode ser isquĂȘmico ou hemorrĂĄgico (Foto: Banco de Imagens)

O estudo, desenvolvido por integrantes do LaboratĂłrio de Controle Motor (Ladecom), do Centro de CiĂȘncias da SaĂșde e do Esporte (Cefid), foi publicado na revista cientĂ­fica com o maior impacto na ĂĄrea da fisioterapia neurofuncional mundial, a Journal of Neurologic Physical Therapy.

De acordo com o MinistĂ©rio da SaĂșde, o tratamento do AVC Ă© feito em centros de atendimento de urgĂȘncia, com o uso de trombolĂ­tico. JĂĄ a reabilitação pode ser feita nos centros especializados. PorĂ©m, nem todos os sobreviventes da condição conseguem acessar esses lugares pela dificuldade em chegar atĂ© o local, e Ă© nisso que o estudo se propĂ”e.

O que é a telerreabilitação

A telerreabilitação diz respeito a possibilidade de se obter tratamento para diversas condiçÔes de saĂșde Ă  distĂąncia, sem a necessidade de deslocamento aos centros de saĂșde ou outros locais que possam oferecer auxĂ­lio para a reabilitação.

No caso do estudo conduzido pelos fisioterapeutas da Udesc, a alternativa seria destinada a quem possui dificuldade de acesso a serviços de saĂșde para receber cuidados pĂłs-AVC.

Como foi feito o estudo

Segundo estudos recentes, para avaliar como a recuperação de um sobrevivente de um AVC estå progredindo, fisioterapeutas utilizam a chamada Escala de Equilíbrio de Berg (BBS). Por meio dessa ferramenta, os profissionais conseguem avaliar o equilíbrio e a mobilidade desses pacientes e, assim, saber se a pessoa pode cair se estiver sem supervisão.

A professora e coordenadora do Ladecom, Stella Maris Michaelsen, doutora em CiĂȘncias BiomĂ©dicas pela Universidade de Montreal, do CanadĂĄ, explica que a escala Ă© “uma das mais utilizadas para avaliar o equilĂ­brio, tanto na população geral, que inclui idosos, quanto em pessoas que sofreram AVC”.

Para medir o quĂŁo confiĂĄvel seria utilizar a telerreabilitação para casos de sobreviventes da condição, os pesquisadores fizeram uma avaliação de como a Escala de EquilĂ­brio de Berg poderia ser usada por meio de videoconferĂȘncias. Essa alternativa Ă© regulamentada desde o inĂ­cio da pandemia da Covid-19, segundo Stella.

— Sabemos que alteraçÔes de equilĂ­brio sĂŁo comuns na população e elas precisam ser tratadas pela fisioterapia. No entanto, nem todas as pessoas tĂȘm acesso a esse tratamento. Por exemplo, problemas de acesso ao transporte pĂșblico, dificuldade na mobilidade, condição das calçadas e problemas de acesso devido Ă  arquitetura dos prĂ©dios podem limitar o acesso ao tratamento. A telerreabilitação, de uma forma geral, e a telefisioterapia sĂŁo alternativas de tratamento quando as pessoas nĂŁo tĂȘm acesso — explica.

Ao todo, 31 sobreviventes de AVC participaram do estudo e tiveram avaliaçÔes presenciais e remotas. O avaliador A conduziu avaliaçÔes presenciais e remotas por videoconferĂȘncia em dois momentos diferentes (teste-reteste), e o avaliador B conduziu uma avaliação usando a segunda gravação feita remotamente.

A validade e a concordùncia entre as avaliaçÔes presenciais e remotas foram analisadas usando o coeficiente de correlação de Pearson e os limites de concordùncia dos gråficos de Bland-Altman, com equaçÔes matemåticas.

Resultados

O resultado final do estudo mostrou que não houve diferenças significativas nas avaliaçÔes presenciais e remotas, isto porque ela foi menor que um ponto entre as duas formas.

Os resultados preliminares da pesquisa jå haviam sido apresentados no VII Congresso Brasileiro de Fisioterapia Neurofuncional em 2023, da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN).

Como conclusĂŁo, ela mostra que “o Tele-Berg demonstrou validade, excelente confiabilidade teste-reteste e interavaliador, baixo erro de medição, consistĂȘncia interna adequada e ausĂȘncia de efeito teto. Essas descobertas sugerem que o Tele-Berg Ă© comparĂĄvel Ă  Berg Balance Scale presencial em sobreviventes de AVC”.

— Os resultados mostraram que essa escala Ă© vĂĄlida e confiĂĄvel para ser aplicada de forma remota, ou seja, Ă© semelhante quando Ă© aplicada presencialmente e remotamente, tanto quando ela Ă© repetida pela mesma pessoa de forma remota como quando ela Ă© avaliada por outra pessoa a partir do vĂ­deo, ela tambĂ©m apresenta resultados que nĂłs dizemos que sĂŁo confiĂĄveis — aponta a professora.

O professor Bruno Freire, que tambĂ©m participou da pesquisa ao lado das fisioterapeutas Aline Barbosa da Costa e Tayara Gaspar da Silva, destacou que o estudou tambĂ©m pode servir para desafogar o sistema pĂșblico e privado de saĂșde em momentos de muita demanda.

— É possĂ­vel, com a avaliação remota e com o instrumento confiĂĄvel, entrar em contato com essas pessoas, prestar essa avaliação, acompanhar o progresso, o quadro da pessoa e tambĂ©m fazer um planejamento que possa, no futuro, beneficiar e atender a comunidade, seja de forma presencial ou nĂŁo, mas estar diante a essas pessoas, nĂŁo deixĂĄ-las desamparadas — explica.

AVC em Santa Catarina

Apesar de ter caĂ­do ao longo dos anos, a mortalidade do AVC ainda Ă© alta no Brasil. Em Santa Catarina, nĂŁo Ă© diferente. Segundo dados da Secretaria de Estado da SaĂșde (SES), atĂ© outubro de 2024, foram registradas 2.550 mortes por AVC.

Em relação ao nĂșmero de casos, foram 5.612 atĂ© julho do ano passado, com maior incidĂȘncia entre as mulheres de 70 e 79 anos.

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