Um estudo do Centro Brasil no Clima (CBC) e do Instituto Clima e Sociedade (ICS) alerta que o Acre pode precisar realocar cidades para áreas mais altas devido à frequência de desastres ambientais. O levantamento, divulgado no Anuário das Mudanças Climáticas, aponta que o estado registrou 167 eventos desse tipo entre os anos 2000 e 2023.
A pesquisa destaca que a região Norte é especialmente vulnerável a catástrofes como inundações e alagamentos, agravadas pela falta de planejamento urbano. Além disso, há a previsão de aumento de até 8ºC na temperatura local, o que pode intensificar os impactos desses fenômenos.
Um dos casos citados no estudo é o município de Brasiléia, que enfrentou a maior enchente de sua história em fevereiro de 2024. Durante a cheia, o Rio Acre atingiu a marca de 15,56 metros, causando danos significativos. Na época, a prefeitura chegou a considerar a transferência de moradores da parte baixa para regiões mais elevadas, menos afetadas pelas águas. No entanto, até o início de 2025, o projeto ainda não havia sido implementado.
Os dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), utilizados na pesquisa, mostram a distribuição dos desastres ambientais no Acre ao longo dos últimos 24 anos:
Fonte: Anuário das Mudanças Climáticas/MIDR – Reprodução G1
Durante a enchente de 2024, a então prefeita Fernanda Hassem (PT) destacou que, apesar dos esforços para retirada da população das áreas de risco, muitos moradores se recusaram a sair. No bairro Leandro Barbosa, por exemplo, cerca de 200 pessoas permaneceram em suas casas, mesmo com o avanço das águas.
Para minimizar os impactos das cheias no futuro, a prefeitura propôs um plano de reassentamento, prevendo a construção de novas moradias na parte alta da cidade e a desocupação das áreas sujeitas a inundações recorrentes. “Precisamos de um projeto ousado para retirar essa parte baixa daqui. Construir novas casas e conjuntos habitacionais para a parte alta da cidade, porque não dá mais”, afirmou Hassem na época.
A enchente de 2024 foi uma das mais severas já registradas no estado. Mais de 14.476 pessoas ficaram fora de casa, entre desabrigados e desalojados, e 17 dos 22 municípios acreanos decretaram situação de emergência devido ao transbordamento de rios e igarapés. Além disso, ao menos 23 comunidades indígenas sofreram impactos significativos.
O município de Brasiléia superou a marca histórica de 2015, quando uma enchente atingiu 100% da área urbana. O estudo recomenda que o Acre fortaleça seus sistemas de alerta e invista em planos de contingência para reduzir os danos causados pelos desastres naturais, cada vez mais frequentes na região.
