A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a acreana Marina Silva, que também é deputada federal licenciada pelo Rede de São Paulo (SP), deu uma pausa nas atividades de seu ministério para se dedicar a uma causa não menos nobre: o combate à violência doméstica e à proteção as mulheres no exercício de cargos públicos e na política.
Marina Silva se junta à Manuela D’Avila e Aurea Carolina na defesa das mulheres na política. Foto: Reprodução
Ao lado das ex-deputadas federais Manuela D’Avila (RS) e Áurea Carolina (MG), que coordenam um trabalho de promoção de conversas sobre as violências políticas que sofrem as mulheres no exercício de seus mandatos, a ministra quer discutir também todas as formas de violência e de discriminações contra as mulheres e às minorias.
Marina Silva nunca escondeu de ninguém que foi vitima de violência doméstica – ao menos psicológica – em seu primeiro casamento.
As informações sobre o encontro da ministra acreana com as ex-deputadas federais foi dada em suas redes sociais pela socióloga Jane Maria Vilas Boas, assessora da acreana.
Áurea Carolina, a parceira de Manuela D’Avila no enfrentamento à violência contra a mulher, é cientista política e faz parte de uma nova geração de mulheres negras que entraram para a política na mesma época de Marielle Franco, a vereadora do PSOL assassinado no Rio de Janeiro em março de 2018.
Vereadora mais votada da história de Belo Horizonte em 2016 e mulher mais votada para a Câmara dos Deputados por Minas Gerais em 2018, ela abriu caminhos para que outras lideranças femininas entrassem na política, mas pagou um preço caro: recebeu ataques racistas, machistas e de ódio.
A ex-parlamentar — ela optou por não tentar a reeleição em 2022 — fala com frequência em rodas de conversas com que debatem o assunto sobre a experiência de ter sido uma das poucas mulheres negras a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. Também relata casos de assédio e tentativas de silenciamento.
A conversa é a primeira de uma série realizada para o projeto SobreElas com mulheres negras que ocupam ou já ocuparam cargos públicos no Brasil. As parlamentares denunciam as diversas violências — diretas e veladas — que sofreram e ainda sofrem durante o exercício político, tanto por serem mulheres quanto por serem negras em espaços historicamente ocupados por homens brancos.
Já Manuela d’Ávila é jornalista e escritora, nascida em Porto Alegre (RS), com 41 anos de idade, foi deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 a 2015, deputada estadual de 2015 a 2019 e candidata a vice-presidente da República na eleição de 2018. Também foi vereadora por Porto Alegre e concorreu à prefeitura da capital gaúcha três vezes.
Na primeira vez, em 2008, ficou na terceira colocação. Na segunda tentativa, em 2012, ficou na segunda colocação, sendo derrotada ainda no primeiro turno por José Fortunati. Na terceira, em 2020, foi derrotada no segundo turno por Sebastião Melo.
Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano. Em 2017, foi indicada por seu partido como pré-candidata à Presidência para a eleição de 2018. No entanto, desistiu da candidatura e foi escolhida por Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, como sua candidata a vice-presidente.
No segundo turno, a chapa foi derrotada por Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Em outubro de 2024, anunciou estar “sem partido”, em um debate organizado pelo Instituto Conhecimento Liberta e voltou-se para a causa das mulheres que enfrentam misoginia e discriminação na política.
Em 2011, como deputada, ela relatou o Estatuto da Juventude, legislação que garante direitos e deveres aos jovens brasileiros. No estatuto, foram incluídos assuntos considerados polêmicos, como a igualdade na orientação sexual.
A iniciativa foi aprovada na Câmara dos Deputados em 5 de outubro de 2011 e no Senado Federal em 15 de fevereiro e 2012.
Em dezembro de 2019, Manuela lançou o Movimento Comuns, uma iniciativa para aumentar o engajamento de pessoas com a política, incluindo as mulheres.
Sua ação agora, ao lado de Áurea Carolina, com o apoio de Marina Silva, busca transformar a política num ambiente sem hostilidade em relação às mulheres.
