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Quem é a delegada afastada por envolvimento com o tráfico de drogas

Por Metrópoles

Maria Cecília Castro Dias é delegada especial de primeira classe. Ela foi afastada de sua função na tarde dessa sexta-feira (7/2) suspeita de envolvimento na quadrilha de policiais civis que desvia cargas de drogas para, posteriormente, vendê-las a traficantes.

Esse é o segundo cargo mais importante como chefe de investigação, apenas uma categoria abaixo da classe especial, hierarquia máxima da categoria. De acordo com o Portal da Transparência, Maria Cecília recebe, mensalmente, R$ 30.232,08.

Reprodução

A delegada assumiu a coordenação do 77º DP (Santa Cecília), no centro de São Paulo, em agosto do ano passado. Antes disso, estava a frente do 2º DP (Bom Retiro).


O que aconteceu


Os dois distritos que Maria Cecília havia trabalhado, o 77º DP (Santa Cecília) e o 2º DP(Bom Retiro), estão subordinados à 1ª Delegacia Seccional, que gerencia as unidades da Polícia Civil no centro paulistano.

Ambas as delegacias, juntamente com o 1º DP (Sé) e o 12º DP (Pari), tinham parte de seus recursos materiais e humanos usados na engrenagem da quadrilha — que trocava cargas milionárias de drogas, geralmente cocaína, por talco ou gesso, por exemplo.

Relatórios da Corregedoria da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP), obtidos pela reportagem, afirmam que o chefe da 1ª Delegacia Seccional, Elvis Cristiano da Silva, teria vendido cargos de chefia nos distritos do centro paulistano, os quais teriam sido ocupados por comparsas no esquema de tráfico de drogas.

Chefe afastado e preso

A delegada afastada nessa sexta coordenava a mesma delegacia na qual o chefe de investigações Cléber Rodrigues Gimenez comandava a apuração do caso.

Ele foi preso, no fim de janeiro, suspeito de contribuir com uma equipe de criminosos que apreendiam as cargas de drogas, as trocavam por talco e gesso e, posteriormente, as vendiam para traficantes internacionais.

Um galpão no Bom Retino, pertencente ao policial, era usado para a substituição das cargas. Um perito do Instituto de Criminalística estaria também envolvido com a quadrilha, com a função de emitir laudos oficiais, constatando a pureza de substâncias que, na verdade, não eram entorpecentes.

Todas as apreensões foram formalizadas em boletins de ocorrência, em esquema de rodízio no 1º DP, 2º DP, 12ºDP e 77º DP, com o intuito de despistar o MPSP.

O esquema teria rendido, somente aos policiais da 1ª Seccional, ao menos R$ 50 milhões, em quase dois anos.

Junto com Cléber Rodrigues Gimenez, também foram presos, no último dia 23, os investigadores Gustavo Cardoso de Souza, 38, e Thiago Gonçalves de Oliveira, 35 — subordinados dele no 77º DP (Santa Cecília) — além do empresário do ramo da construção Maxwell Pereira da Silva, 30, e Matheus Cauê Mendes Parro, 27. As defesas deles não foram localizadas. O espaço segue aberto para manifestações.

Elvis Cristino da Silva seguia trabalhando normalmente, ao menos até a tarde dessa sexta-feira (7/2), segundo apurado pela reportagem. A defesa dele também não foi localizada.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que “todos os fatos citados” pelo Metrópoles “são alvo de apuração para aplicação das medidas cabíveis”. “A Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da instituição”, completa a pasta.

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