Roberto Carlos do Palheiral terá cortejo pelos bairros onde era uma espécie de ídolo popular

Militante aguerrido e dedicado, ele será sepultado com todas honras que lhe faltaram na vida modesta, mas honrada

Ao baixar à terra fria no ritual sagrado do sepultamento humano, o militante político Francisco das Chagas Martins Teles, conhecido como Roberto Carlos do Palheiral, morto por atropelamento aos 68 anos, encerrará um ciclo em que seu Partido, o Progressistas, carecia de sua presença humilde mas generosa para esquentar e animar os comícios da sigla em campanhas eleitorais.

Roberto Carlos do Palheiral terá cortejo pelos bairros onde era uma espécie de ídolo popular. Foto: Reprodução

Filiado ao Partido fazia pelo menos 30 anos, muito antes de o PP se chamar PP, quando ainda era PDS, o sucedâneo da Arena, ele chegou a ser candidato a vereador e a deputado estadual algumas vezes mesmo sabendo que não teria, por falta de recursos numa época em que os próprios candidatos é que deveriam bancar suas próprias campanhas, além de outros fatores, qualquer chance de vitória.

No entanto, ele era uma atração à parte nos comícios, ora cantando, ora pedindo votos, com sua voz esganiçada mas, ainda assim, cheia de graça. Seu nome era anunciado nos carros volantes cujos alto falantes convidavam a população para os comícios como uma atração à parte.

Roberto Carlos ainda jovem, participando de reuniões do PP. Foto: ContilNet

E ele não se fazia de rogado quando alguém pedia que ele cantasse as musicas do cantor que ele mais adirava, seu xará Roberto Carlos, o original.

O apelido com o acréscimo com o nome do bairro em que morava foi dado por outro icone que passou pelo Acre, o locutor e animador de auditório Paulo Franco, também já falecido, conhecido como Paulo Franco Show. Ele costumava levar o então desconhecido morador do Palheiral para cantar em seus programas, no rádio, na TV ou mesmo em auditórios, sempre ao vivo, sem qualquer tipo de ensaio e, ainda assim, tudo virava show. 

A popularidade do morador do Palheiral como artista ganhou cada vez mais seguidores – e isso numa época em que a Internet e redes socais só eram citadas em filmes de ficção científica. 

Ainda assim, de boca a boca e algumas reportagens na imprensa, aquele homem franzino, de feições e magrezas extremas, tornou-se popular ao ponto de chamar atenção dos partidos políticos, entre eles o PP. 

“Roberto Carlos do Palheiral” não escondia de ninguém que seu amor pelo PP, do qual foi um ardoroso militante e defensor, começou com sua admiração pelo então governador Edmundo Pinto, que seria assassinado em 1992, num quarto de hotel, em São Paulo, em pleno exercício do mandato. 

Sem Edmundo Pinto, sua referência política no PP se voltou para a família Bestene, através do então deputado estadual José Bestene e de sua irmã Nabiha Bestene, então vereadora e líder de um movimento batizado de “as formiguinhas”, integrado principalmente por mulheres entre as quais Roberto Carlos do Palheiral e não o Francisco Teles se sentia à vontade.

Com o surgimento de Orleir Cameli, ex-prefeito de Cruzeiro do Sul entre 1993 a 1994 e governador do Estado, de 1995 a 1998, o militante voltou sua atenção para o empresário convertido em líder político. Teve amizade com o governador e coma então primeira-dama Beth Cameli, cujo carinho, claro, foi transferido para o herdeiro do espólio político da família Cameli, o atual governador Gladson. 

Pela nota de pesar emitida pelo governador reeleito do Acre, um político que desde 2002 jamais conheceu uma derrota eleitoral e que chegou ao Governo do Estado em duas eleições vencidas em primeiro turno, era absolutamente recíproca. O governador esteve no velório do militante por toda a manhã desta sexta-feira e destacou seu exemplo de entrega à construção partidária e à felicidade como amigo.

Natural de Tarauacá, Francisco Teles não tinha filhos mas era casado, fazia pelo menos dez anos, com a dona de casa Lucineide Moraes da Silva, uma senhora de 47 anos, que ficou devastada com a partida repentina do companheiro e amigo.

Militante aguerrido e dedicado, ele será sepultado com todas honras que lhe faltaram na vida modesta, mas honrada. Foto: ContilNet

Em reconhecimento a sua dedicação partidária e amor ao PP, atualmente no poder no Governo do Acre, com a vice Prefeitura de Rio Branco e outras 14 prefeituras no Estado, o Partido prestará sua última homenagem  ao militante ilustre fazendo um  cortejo fúnebre pelos bairros do Palheiral e outros da chamada Baixada da Sobral, onde Roberto Carlos do Palheiral era uma espécie de ídolo, a seu modo peculiar. 

O último adeus será no Cemitério São João Batista, no mesmo cemitério em que faz, há 33 anos, o seu ídolo Edmundo Pinto. Ali estará sepultado um homem humilde mas honrado e digno de todas homenagens que por certo lhe faltaram em vida.

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