Acre registrou uma média de 100 casos de leptospirose por ano entre 2020 e 2024, diz Sesacre

O número de casos confirmados atingiu a maior incidência no primeiro semestre de 2023, na 15ª semana epidemiológica

A leptospirose, doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de animais como ratos, camundongos e ratazanas, é uma das mais frequentes durante o período de enchentes no Acre.

De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o Acre registrou 660 casos confirmados da doença entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024. A média é de 100 casos por ano.

Urina de ratos é um dos principais causadores da doença/Foto: Reprodução

“Observou-se um expressivo aumento de casos notificados em 2023, dado que se justifica pelo trabalho intensivo da vigilância frente aos casos suspeitos da doença”, informa a Sesacre.

O maior número de casos confirmados de leptospirose no período de 2020 a 2024 ocorreu entre os meses de janeiro e maio, coincidindo com o inverno amazônico, período de chuvas intensas, no qual há o transbordamento dos rios e seus afluentes, favorecendo a disseminação hídrica da doença.

“Devido ao efeito sazonal característico do clima amazônico, que altera a dinâmica das precipitações, principalmente entre os meses de outubro e abril, com chuvas intensas que elevam os níveis do Rio Acre e de seus afluentes, trazendo consigo doenças de transmissão hídrica, observamos anualmente o aumento de casos da doença nesse período”, acrescenta a análise.

O número de casos confirmados atingiu a maior incidência no primeiro semestre de 2023, na 15ª semana epidemiológica.

“Em 2020, houve um aumento considerável dos casos entre a 2ª e a 7ª semana epidemiológica. Em 2021, o maior número de casos confirmados ocorreu na 49ª semana. Em 2022, houve um leve aumento entre a 13ª e a 21ª. Em 2024, o agravo atingiu seu pico de notificações na semana 12”, aponta o relatório.

Cruzeiro do Sul e Rio Branco registraram o maior número de casos confirmados nos últimos quatro anos, com 288 e 268 casos, respectivamente.

“Dentre as situações de risco, sinais de roedores (58,85%), criação de animais (49,44%) e contato com terrenos baldios (38,86%) foram as mais relatadas nas notificações dos casos confirmados”, salientou o boletim.

Sintomas da leptospirose

Os sintomas da leptospirose podem variar de leves a graves. Os principais são:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular, principalmente nas panturrilhas
  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia
  • Olhos vermelhos
  • Pele e olhos amarelados (icterícia)

Em casos mais graves, podem ocorrer:

  • Sangramentos
  • Insuficiência renal
  • Comprometimento hepático
  • Comprometimento pulmonar
  • Comprometimento meníngeo
  • Hemorragias (equimoses, sangramentos no nariz, gengivas e pulmões)

No Acre, entre os casos confirmados, os sintomas mais frequentes foram febre, cefaleia e mialgia, todos característicos da fase precoce da doença.

Mortes

Nos últimos quatro anos, cinco pessoas morreram em decorrência da doença, resultando em uma taxa de letalidade de 0,78%. “Identificou-se um aumento da letalidade no biênio 2022-2023, com posterior declínio em 2024”, destaca o boletim.

Um óbito foi registrado em 2021, outro em 2022, dois em 2023 e um em 2024.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da leptospirose é realizado por meio de exames de sangue. O tratamento depende da gravidade da doença e inclui o uso de antibióticos, além de repouso e cuidados intensivos, quando necessário.

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