Um empate em 0 a 0 fora de casa em jogo da Libertadores não é mau negócio, mas a sensação deixada pelo Bahia, na noite da última quinta-feira, é de que o time poderia ter saído do estádio Centenário, em Montevidéu, com uma situação mais confortável em busca de uma vaga na fase de grupos. Para isso, porém, precisava ter jogado muito mais futebol que o apresentado.
Diante de um Boston River que se preocupou apenas em se defender, o Tricolor não mostrou volume ofensivo para vencer. Além disso, lembrou seus piores momentos da temporada passada com uma posse de bola genérica.
Lucho Rodríguez em Boston River x Bahia — Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia
Primeiro tempo sonolento
A equipe escolhida por Rogério Ceni foi a mesma que eliminou o The Strongest na fase anterior. O time esteve posicionado em um 3-4-3 ou 3-2-5 na fase ofensiva, com o ala Luciano Juba deslocado para o meio-campo. Ao se defender, a equipe se agrupava em um 4-5-1, com Juba na lateral esquerda e o zagueiro Gabriel Xavier posicionado como lateral-direito.
O Bahia teve controle das ações em dois terços do campo, mas muita dificuldade para entrar na área do Boston River. A primeira finalização aconteceu aos nove minutos, em participação de Jean Lucas na área como elemento surpresa para cabecear para fora bola levantada por Everton Ribeiro.
Aos 27 minutos do primeiro tempo, Jean Lucas exigiu grande defesa de Antúnez em finalização de fora da área. Naquele momento se imaginou que o Bahia iria ganhar confiança e pressionar o adversário. Mas a produção ofensiva do Tricolor se resumiu a isso.
O Bahia da última quinta-feira lembrou o time da temporada passada, em que tinha muito controle da bola e pouca intensidade no campo de ataque. O Tricolor teve 61% de posse diante de um rival tecnicamente inferior, mas finalizou apenas três vezes na primeira etapa, sendo uma no alvo.
Trocas não mudam cenário
A ausência de laterais para dobrar pelo menos em um dos lados com os atacantes Pulga ou Ademir parecia ser o principal problema do Esquadrão, mas Ceni voltou para o segundo tempo com a mesma equipe e viu o Bahia sofrer gol em cinco minutos, mas anulado por impedimento.
Everton Ribeiro em Boston River x Bahia — Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia
Com o cenário do jogo inalterado, as primeiras alterações foram feitas aos 15 minutos da segunda etapa. O lateral-direito Gilberto entrou no lugar do zagueiro Gabriel Xavier, e Willian José substituiu Erick Pulga no ataque. Com isso, o Tricolor passou a atuar em um 4-3-3 mais clássico, com Lucho fazendo o lado esquerdo do ataque em alguns momentos, mas dobrando com Willian José na área em outros.
Mas mesmo com laterais e pontas juntos para fazer dobras, o Bahia seguiu sonolento no jogo e sequer criou chances perigosas de gol. Perto dos 30 minutos, Ceni trocou o lateral Juba e o meia Everton Ribeiro por Iago Borduchi e Cauly. Logo depois, Michel Araújo substituiu Ademir.
Com as cinco trocas realizadas, o Tricolor terminou o segundo tempo de forma monótona e pior que na primeira etapa. Refém de cruzamentos para a área, o Bahia até aumentou em posse de bola no geral (64%), mas finalizou apenas uma vez ao gol no segundo tempo e fora do alvo.
Bom resultado x futebol sonolento
Apesar do desempenho ruim na criação, o Bahia volta para Salvador com um bom empate e a possibilidade de contar com uma vitória simples em casa para avançar na Libertadores.
Mas antes a equipe tem nova decisão, desta vez pelas semifinais do Campeonato Baiano, contra o Jacuipense, em cenário que pode lembrar o encontrado no Uruguai. No Joia da Princesa, em Feira de Santana, o Tricolor vai precisar vencer o adversário após perder o jogo de ida por 2 a 1.
Furar o bloqueio do Jacuipense será um bom teste antes da partida decisiva da Libertadores. A classificação no Baiano pode tirar a má impressão deixada pelo Bahia no primeiro embate contra o Boston River e aumentar a confiança para a decisão mais importante do ano até então.

