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Ciro Nogueira diz que objetivo principal da federação do PP com o UB é eleger o próximo presidente da República

Por Tião Maia, ContilNet

“A chance de um candidato da centro-direita ganhar a próxima eleição é muito grande. A federação caminha para um apoio nesse sentido, mas isso ainda não está decidido”, afirmou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, ao defender uma possível federação com o União Brasil (UB). Para Nogueira, a formação dessa federação seria um acontecimento político capaz de enfrentar o favoritismo ou a liderança de uma candidatura presidencial à esquerda, como a reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ciro Nogueira é presidente do PP/Foto: Cristiano Mariz/Agência OGlobo.

Nogueira acredita que Progressistas e UB formarão uma “superfederação”, que se tornará o “player” mais importante na corrida à Presidência no próximo ano, e considera que essa disputa será sem chances para uma terceira via. Aliado e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, hoje inelegível, Nogueira reconhece que os atores políticos envolvidos tendem a seguir o caminho da “centro-direita”.

O senador convocou a bancada do Progressistas no Congresso Nacional, além de dirigentes estaduais, para definir a federação. Agora, aguarda apenas a deliberação do União Brasil, que deve acontecer até a próxima semana.

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Com 50 e 59 deputados, respectivamente, o Progressistas e o União Brasil não correm o risco de cair na chamada cláusula de barreira, a regra que estabelece critérios para que os partidos tenham acesso ao tempo de propaganda eleitoral gratuita na TV, ao fundo partidário e à estrutura parlamentar. Essa regra foi incluída na Constituição em 2017 e começou a valer nas eleições de 2018. Em 1995, o Congresso já havia aprovado uma cláusula com desempenho mínimo, mas foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a medida feria o direito das minorias.

A cláusula de barreira é aplicada a partidos que não conseguirem alcançar a representação na Câmara com pelo menos nove deputados federais, que devem ser distribuídos por um terço das unidades federativas do Brasil (26 estados e o Distrito Federal). Partidos que não atingirem esse número nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados são gradualmente extintos. Primeiro, perdem acesso ao fundo e à propaganda gratuita. Além disso, partidos que não cumprem a cláusula de desempenho também perdem o direito à estrutura de liderança na Câmara, podendo indicar apenas um de seus membros para expressar a posição do partido nas votações ou para usar a palavra uma vez por semana, por cinco minutos – o que não é o caso do Progressistas nem do União Brasil.

Apesar de não ser uma necessidade urgente, Nogueira destaca que a criação de uma federação entre os dois partidos é importante, pois ela tornará a nova sigla o maior partido do país em todos os aspectos – em número de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais.

No Senado, de acordo com Nogueira, a nova federação será a segunda maior bancada. O reflexo da federação seria um aumento significativo no fundo eleitoral da nova sigla e no tempo de propaganda no rádio e na televisão, essencial para a campanha presidencial. Para Nogueira, há muita sinergia entre os partidos de centro-direita e de perfil mais conservador, e os pontos de aproximação são mais do que os de afastamento.

A formação da federação, para Nogueira, também implica que a nova sigla deveria abrir mão de cargos no governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo na Esplanada dos Ministérios. Atualmente, o PP tem o Ministério dos Esportes, ocupado por André Fufuca, deputado federal pelo Progressistas do Maranhão. Uma das missões de Nogueira será convencer os aliados a abrirem mão desses ministérios. O União Brasil, por sua vez, tem os ministérios do Turismo e das Comunicações. Ciro Nogueira acredita que os novos aliados precisarão ser convencidos a deixar o governo. “É preciso convencimento e bom senso. A chance de um candidato da centro-direita ganhar a próxima eleição é muito grande. A federação caminha para um apoio nesse sentido, mas isso ainda não está decidido. Primeiro, vamos decidir se vai haver federação, para depois tratar dessas questões, sempre com consenso entre os dois partidos”, afirmou Nogueira, em entrevista ao O Globo.

Quando perguntado sobre como ficaria o pleito interno com a candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também é pré-candidato, Nogueira respondeu: “Se Caiado se tornar um candidato viável, teria todo o meu apoio. Agora, não vejo viabilidade para nenhum candidato no país sem o apoio de Bolsonaro e Lula. Fatalmente, qualquer um com o apoio desses dois estará no segundo turno. Não vejo possibilidade de uma terceira via no país”.

Para Nogueira, o governo Lula está perdido. “O grande problema do governo hoje é a falta de um governo efetivo. O presidente não está apto a resolver os problemas do país. Ele deu uma guinada para a esquerda e pensa em ser um ícone revolucionário, mas não se preocupa em unificar o Brasil. Quer ser como Fidel Castro ou Che Guevara, não como Nelson Mandela”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de Lula recuperar sua popularidade até 2026, Nogueira foi categórico: “Não. É irreversível. O que está acontecendo no país é um efeito semelhante ao de Joe Biden. As pessoas acham que Lula não tem mais capacidade de governar. O processo inflacionário é irreversível, pois o governo não tomará as medidas de ajuste fiscal que o país precisa. O presidente hoje é completamente dissociado da realidade. Ele é uma pessoa que não tem acesso direto às informações, só vê o que os outros mostram”.

A formação da federação entre Progressistas e União Brasil também impactará as eleições estaduais. De acordo com os dirigentes das duas siglas, a cúpula da futura federação terá a palavra final sobre os três maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A nova direção também tomará decisões sobre o Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Tocantins.

Nos demais estados, a distribuição ficará da seguinte forma: o Progressistas de Ciro Nogueira ficará com os diretórios regionais do Acre, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina. Já o União Brasil, presidido pelo advogado Antônio Rueda, comandará os estados do Ceará, Goiás, Amazonas, Bahia, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia.

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