Como suposto mandante de morte de inimigo do PCC passou a abastecer CV

Ligado à cúpula do PCC, Emílio Gangorra Castilho, conhecido como Cigarreiro, tinha interlocução com facção carioca e base na Vila Cruzeiro

De acordo com o relatório final da investigação sobre o assassinato de Vinícius GritzbachEmílio Gangorra Castilho, conhecido como Cigarreiro ou Bill, apontado como um dos mandantes mandantes do crime, era ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e tinha trânsito com a facção rival Comando Vermelho (CV), principal organização criminosa do Rio de Janeiro.

Para a Polícia Civil de São Paulo, Cigarreiro foi, ao lado de Diego Santos Amaral, o Didi, o responsável por encomendar a execução de Gritzbach, morto com 10 tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 8 de novembro do ano passado.

O crime seria uma vingança à execução do líder do PCC Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, em dezembro de 2021, e a um suposto golpe milionário que Gritzbach teria dado na facção, desviando parte de um investimento em criptomoedas.

“Não existem dúvidas que todos os indivíduos supramencionados de alguma forma trabalham e estão vinculados a Cigarreira, sendo eles integrantes do PCC, CV ou da organização criminosa de tráfico de drogas interestadual liderada por Emílio Castilho”, afirma a polícia no relatório.

De acordo com as investigações, Cigarreiro teria assumido o fornecimento de drogas para a Vila Cruzeiro após o traficante carioca Alan Hilário Lopes, o Rala, ser baleado em uma troca de tiros com policiais do Bope e ficar paraplégico, em 2007.

Cigarreiro e Rala teriam se conhecido em uma prisão não mencionada no relatório e se tornado comparsas no tráfico interestadual.

“Rala era um conhecido traficante no Rio de Janeiro, responsável pelo abasatecimento da Vila Cruzeiro, na Comunidade da Penha, após tornar-se cadeirante, seu espaço foi assumido por Emílio Gangorra Castilho”, afirma a polícia de São Paulo.

Segundo a investigação, a organização criminosa liderada por Cigarreiro contava com a participação de seu irmão, Anderson Luiz Gangorra Castilho, conhecido como Moringa, que ficava responsável pela gestão financeira do grupo. O trabalho consistia em levar drogas de São Paulo para o Rio de Janeiro.

As investigações apontaram que o núcleo do Rio de Janeiro ligado à morte de Vinícius Gritzbach ainda contou com a participação de Gleidson Araújo Silva, o Quetinho, e seu irmão Michel de Araújo Silva. Eles teriam ajudado, por exemplo, na fuga de Kauê do Amaral Coelho, apontado como olheiro do crime, responsável por avisar os atiradores sobre a chegada da vítima.

Festa de dois dias

O relatório de investigação indica que os suspeitos do crime teriam comemorado o sucesso na “missão” em uma festa de dois dias na comunidade da Penha, no Rio de Janeiro.

Conversas de WhatsApp, interceptadas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), mostram que duas mulheres comentam que a festa ocorreu “na casa da piscina” do “Pai”, uma forma pela qual chamam Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Cigarreiro — apontado como mandante do assassinato e importante liderança do PCC. Como mostrado pelo Metrópoles, ele ainda comercializa drogas com a principal facção rival do PCC, o Comando Vermelho (CV).

No dia da morte de Gritzbach, João Victor Amaral Coelho, irmão de Kauê, trocou mensagens com o amigo João Pedro Colares de Oliveira, comentando sobre a morte do delator. Eles falam sobre uma recompensa de R$ 3 milhões pela morte, oferecida por Cigarreiro. Após isso, ambos dialogam sobre temas de desinteresse da investigação.

Somente em 12 de novembro, quatro dias após o crime, retomam a falar sobre o assassinato e da festa ocorrida no Rio de Janeiro, com a presença de Kauê, e sobre outra comemoração, também por causa do assassinato, organizada em um sítio na cidade de Igaratá, no interior paulista. “Todo mundo” estaria “comemorando”, escreveu o irmão do olheiro.

“Colares questiona se a comemoração seria pela more de Vinicius [Gritzbach], ao que João confirma”, diz trecho de relatório do DHPP.

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