O dia internacional das mulheres é comemorado no dia 8 de março, e em todos os anos, a imprensa busca histórias de mulheres inspiradoras, com trajetórias admiráveis que merecem ser lembradas como exemplos fortes da figura feminina.
Juliana Lofego é uma das professoras mais antigas do curso de jornalismo da Ufac/Foto: Reprodução
Entretanto, muitas vezes, a própria imprensa esquece que na trajetória até a profissionalização existiram mulheres que foram fundamentais no percurso dos jornalistas que hoje, cuidam da imagem de órgãos públicos, de pessoas, registram momentos na eternidade por meio de suas lentes e, sobretudo, estão na linha de frente da comunicação apurando informações todos os dias dentro das redações de jornais para levar a informação mais exata e humana possível.
O ContilNet aproveita a data destacada no calendário do mundo inteiro em homenagem às mulheres, para lembrar daquelas que foram de grande importância para a construção do atual cenário da comunicação acreana, professoras do curso jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), que foram responsáveis por parte da formação de grande parte dos comunicadores locais.
Juliana Lofego, tem 53 anos, e se formou em jornalismo há 30 anos. Ela é professora do curso de jornalismo da Ufac desde 2002, quando entrou na instituição ainda no primeiro concurso público destinado aos professores do curso.
Formada pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ela veio ao estado do Acre a princípio para acompanhar seu marido, que iria realizar trabalhos envolvendo a saúde indígena.
Juliana Lofego junto de outros professores e alunos durante exposição sobre rádio/Foto: Cedida
“Eu entrei em 2002, foi o primeiro concurso para o curso, o curso já tinha começado no segundo semestre 2001, e começou com o pessoal de letras e ciências sociais dando aula, e em 2002 eu entrei para o segundo semestre”, explicou.
Lofêgo trabalhou no jornal O Dia e O Fluminense, no Rio de Janeiro, antes de vir ao estado, assim como também teve uma passagem pela Fiocruz, durante o seu doutorado, onde realizou alguns trabalhos em meio às pesquisas .
Sobre os momentos marcantes durante os anos lecionando, ela comenta sobre o acidente do Voo Rico Linhas Aéreas 4823, e como aquele fato teve impacto em certos assuntos abordados nas salas de aula.
“Eu me lembro de uma coisa que para mim impactou muito a cobertura do acidente da Rico, do avião e foi uma cobertura assim muito sangrenta as pessoas passando por os jornalistas lá em cima e mostrando coisas do acidente as pessoas saindo feridas. Para mim isso marcou muito e eu me lembro da sala de aula falar gente o que que a gente não pode fazer de uma cobertura jornalística né o que que tem que ser feito com cuidado com ética, com respeito ao ser humano, não colocando essas cenas mais degradantes”, revela.
Sobre o destaque de mulheres no jornalismo acreano que passaram por ela, sejam como alunas ou estagiárias, Lofego diz que se sente orgulhosa de ver os espaços alcançados por elas.
“Eu sinto muito orgulho quando a gente vê que tem ótimos egressas do curso, que estão em posição de destaque em toda a imprensa acreana, em posições de comando, como na TV Acre e a nossa atual secretária de comunicação do Estado, que foi minha estagiária”, disse.
Nayara Lessa à esquerda é secretária de comunicação do estado e Geisy Negreiros é gerente de jornalismo da Rede Amazônica/Foto: Reprodução
Além disso, os alunos e ex-alunos que se destacam em premiações, sejam elas locais ou de fora do estado, se tornam um sinal de que o curso está indo por um bom caminho e que o trabalho está dando frutos.
“Essas premiações que a gente tem no jornalismo, e ver eles ganhando pelo melhor texto, pelo rádio, impresso, online, é sempre, pra mim, um super orgulho. A gente fala assim, ‘ estamos no caminho certo, olha esses alunos e ex-alunos aí, mostrando que estão fazendo coisas boas, que estão tendo reconhecimento’, isso é um orgulho muito grande”.
Sobre as mudanças no jornalismo que o serviço das professoras da universidade puderam contribuir, ela destaca o surgimento das assessorias de comunicação no estado, assim como a melhora técnica nos textos de jornais locais.
“Eu me lembro de trabalhar muitos textos dos jornais impressos na época, de fazer corte-cola e a gente trabalhava em sala, pedíamos pros alunos reescreverem. Eram muitos erros como na construção da matéria, erros de português, falta de informações importantes nas matérias. Quando a gente começou o curso, praticamente não tinha assessoria de comunicação no estado, depois a gente foi formando os alunos e foi vendo que eles foram entrando nas assessorias, e as assessorias foram sendo criadas”, encerrou ela, comentando sobre o impacto.
