Elis Regina completaria 80 anos nesta segunda-feira (17); data terá celebrações pelo país

Em São Paulo, os filhos da cantora organizam o show "Elis 80". Outras homenagens vão acontecer no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, além da reedição da biografia da artista.

Era 1964 quando a jovem Elis Regina se mudou de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. A viagem era o começo de uma carreira tão marcante para a cultura brasileira, que segue sendo celebrada mesmo quatro décadas depois da morte dela.

Nesta segunda-feira (17), Elis completaria 80 anos de idade. E vai ter festa reunindo Elis, os filhos, artistas que fizeram parte da carreira dela e, claro, o público.

A apresentação “Elis 80” acontece no dia 28 de março, numa casa de shows em São Paulo. E, ao longo de todo o ano, estão previstas outras celebrações em diversos estados.

O produtor musical e filho mais velho de Elis, João Marcelo Bôscolli, explica que a ideia do projeto é reunir músicas marcantes da carreira dela, com trechos de depoimentos e objetos que remontam à casa e à intimidade de Elis. O comentarista da CBN explica que a celebração não poderia acontecer em outro lugar, já que o palco era o habitat natural da cantora.

“Elis gravou muitos álbuns, mais de 30. Mas, o tempo que ela passou no palco foi o tempo maior da sua vida. Um álbum ela fazia em três ou quatro semanas. Mas, ela ficava o ano inteiro fazendo shows toda semana. Nós preparamos uma celebração, uma homenagem, e eu fico muito feliz. Nem no meu maior devaneio de adolescente eu imaginei que a Elis chegaria aos 80 anos com essa atenção, com essa presença, sobretudo nas novas gerações. Isso me encanta muito”, afirma.

Fagner, Ivan Lins, João Bosco e outro filho de Elis, Pedro Mariano, se preparam para se revezar no palco com a aniversariante: além de músicas, a voz de Elis foi remasterizada com o uso de inteligência artificial para que ela possa contar histórias marcantes da carreira.

Elis Regina e os filhos, Maria Rita, João Marcello Bôscoli e Pedro Mariano — Foto: Reprodução/Redes sociais

Elis Regina e os filhos, Maria Rita, João Marcello Bôscoli e Pedro Mariano/Foto: Reprodução/Redes sociais

Achados inéditos

Em entrevista à CBN, o cantor Pedro Mariano revela informações que fazem parte de dois cadernos pessoais de Elis e que ajudam a contar um pouco mais sobre a forma de trabalhar dela. Junto de uma lista com as 26 músicas que ela pretendia gravar no próximo álbum, havia outros planos.

“Uma série de demandas do disco que ela coloca para serem conversadas com a gravadora sobre como lançar esse trabalho. É assustador o grau de organização e de foco. Eu diria quase que não é um artista fazendo isso. Nós vamos celebrar a voz mais linda do mundo, a pessoa mais incrível que deixou um legado mágico e que vem encantando novas gerações, o que é tudo que um artista quer. O que nós pudermos fazer para manter ela presente aqui com a gente, nós vamos fazer”, garante.

Essas e outras informações inéditas dos cadernos de Elis motivaram uma reedição da biografia “Elis – Nada Será Como Antes”. O músico, jornalista, crítico e biógrafo Julio Maria conta que esses achados ajudam a explicar o que torna Elis uma artista tão buscada e admirada, mesmo 43 anos depois da morte.

“Eu quase chego à conclusão de que a Elis é um fenômeno mais do que musical, é algo mesmo comportamental, social, e curiosamente não envelhece. Elis me parece uma necessidade. Mais do que da própria Elis, em estar em evidência o tempo todo, algo que ela não procurava a todo custo. Ela queria ser uma cantora excepcional, ela queria acertar em tudo, ela tinha uma insegurança, sim, mas me parece mais uma necessidade nossa de estar acessando Elis o tempo todo”, observa.

‘O importante é onde quer chegar’

Outro trecho sobre como Elis via a própria trajetória foi contado aqui, na Rádio CBN. A própria Elis, em depoimento recuperado no programa Personalidade CBN, de 1992, falou sobre o começo da carreira e o fenômeno que ela se tornou anos depois.

“Um dia, eu saí pequena, com 19 anos, 36 ‘pau’ na carteira, de Porto Alegre, e cheguei aqui. E, um ano depois, eu era Elis Regina. O importante não é o tamanho da estação, não é o aparato que cerca a partida. O importante é onde a gente quer chegar”, disse.

Elis Regina, cantora — Foto: Reprodução

Elis Regina, cantora/Foto: Reprodução

Para Julio Maria, essa fala revela um traço muito importante da Pimentinha: a determinação de saber o que queria fazer e onde queria chegar.

“É saber o lugar onde se quer chegar. Ela soube disso muito cedo, ela olhou para todo mundo, negou tudo que tava acontecendo: negou a bossa nova – não era isso que ela queria; negou a própria Jovem Guarda – não era isso que ela queria. A Elis não queria turma nenhuma. Eu vejo que, sem traçar nada e sem planejar nada e colocar no papel, a Elis conseguiu chegar talvez até no lugar ainda além do que sonhou quando saiu com seus 36 Cruzeiros na carteira, com o pai, o seu Romeu, pegando um ônibus e chegando no Rio de Janeiro em 1964”, diz.

Além de São Paulo, outras duas cidades importantes na história da Pimentinha guardam celebrações: no Rio de Janeiro, as artistas Laila Garin, Liz Rosa e Fernanda Santanna tem apresentações marcadas, enquanto a cidade natal de Elis, Porto Alegre, preparou uma programação cultural completa e gratuita na Casa de Cultura Mario Quintana.

Já o artista Gustavo Duarte lança no segundo semestre uma história em quadrinhos sobre a cantora.

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