Em um comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (18), o grupo Hamas afirmou que os Estados Unidos têm “total responsabilidade” pelos ataques de forças israelenses em Gaza. Os bombardeios dessa segunda (17) para terça (18) deixaram mais de 400 palestinos mortos e outros mais de 650 feridos.

Destruição após ataques de Israel na Faixa de Gaza. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
“Com seu apoio político e militar ilimitado à ocupação (Israel), Washington tem total responsabilidade pelos massacres e assassinatos de mulheres e crianças em Gaza. A comunidade internacional é instada a tomar medidas imediatas para responsabilizar a ocupação e seus apoiadores por esses crimes contra a humanidade”, diz o texto, segundo o The Guardian.
Logo após os ataques virem à tona, a porta-voz da administração de Trump, Karoline Leavitt, afirmou que a Casa Branca foi comunicada da decisão de Israel. A fala foi em entrevista à Fox News.
“A administração Trump e a Casa Branca foram consultadas pelos israelenses sobre seus ataques em Gaza nesta noite. Como o presidente Trump deixou claro – o Hamas, os Houthis, o Irã, todos aqueles que buscam aterrorizar não apenas Israel, mas também os Estados Unidos da América, enfrentarão um preço a pagar. O caos será instaurado.”
Bombardeios
Explosões foram observadas na Cidade de Gaza, em Deir Al-Balah, na região central, e em Rafah e Khan Younis, no sul. A Defesa Civil do território afirmou que 35 ataques aéreos foram registrados.
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Explosões após ataques de Israel em Gaza. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Netanyahu afirmou que agora vai agir contra o Hamas de forma “cada vez mais intensa”. (leia a nota completa abaixo).
Cessar-fogo interrompido?
O cessar-fogo, dividido em três etapas, previa uma pausa completa nos ataques, além da troca de reféns mantidos pelo grupo terrorista em Gaza por prisioneiros palestinos detidos em Israel.
Na prática, o prazo da primeira fase terminou em primeiro de março. Israel e Hamas chegaram a negociar uma extensão da trégua, mas não chegaram a um acordo. Com isso, o governo israelense anunciou a interrupção da entrada de ajuda humanitária no território palestino.
Uma autoridade do Hamas acusou Israel de romper com o acordo de cessar-fogo de forma unilateral, colocando os reféns mantidos em Gaza em um ‘destino incerto’. Segundo o Hamas, um funcionário do alto escalão de segurança do grupo terrorista, Mahmoud Abu Watfa, foi morto durante os ataques.
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Explosões após ataques de Israel em Gaza. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Hamas defende continuidade nas negociações
De acordo com a agência de notícias Reuters, o grupo Hamas continua defendendo a continuidade do cessar-fogo na Faixa de Gaza no conflito com Israel, mesmo após ataques que deixaram mais de 400 mortos. Negociadores do Hamas insistem em chegar a um acordo para o fim da guerra e retirada das tropas israelenses da região.
Equipes de negociação de Israel e do Hamas estavam em Doha enquanto mediadores do Egito e do Catar tentavam diminuir as diferenças entre os dois lados após o fim da fase inicial do cessar-fogo.
As autoridades israelenses defendem o retorno de todos os reféns restantes em troca de uma trégua de longo prazo para interromper os combates. A ideia é que a paz seja ao menos até após o mês de jejum muçulmano do Ramadã e do feriado da Páscoa judaica em abril, para que depois ocorram novas negociações.
O cessar-fogo é negociado pelo Catar, Egito e Estados Unidos.
Leia a nota completa divulgada por Israel para defender ataque:
“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz instruíram as Forças Armadas de Israel a agir com força contra a organização terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
A decisão foi tomada à luz de circunstâncias acumuladas, principalmente a falta de qualquer movimento nas negociações para a libertação de nossos reféns devido à postura rejeicionista do Hamas, e um alerta sobre a possibilidade de um ataque por organizações terroristas em Gaza contra nossos soldados e comunidades com o propósito de matar e sequestrar.
Após o Hamas se recusar repetidamente a libertar nossos reféns e rejeitar as propostas que recebeu do enviado do Presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e dos mediadores, as Forças Armadas de Israel e o Shin Bet foram instruídos, conforme declarado, a atacar uma série de alvos da organização terrorista Hamas em toda a Faixa de Gaza, com o objetivo de atingir os objetivos de guerra determinados pela liderança política, incluindo a libertação de todos os nossos reféns — tanto os vivos quanto os mortos.
O primeiro-ministro esclareceu que, deste ponto em diante, Israel agirá contra o Hamas com força militar cada vez mais intensa”.
