O fechamento do “Ramal do Barbary”, que liga Rodrigues Alves a Porto Walter, tem gerado tensão na região. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (10), o Ministério Público Federal (MPF) esclareceu que a interdição foi determinada pela Justiça Federal da 1ª Região devido a irregularidades na construção da via, e não por influência das comunidades indígenas, como alguns moradores têm alegado.
Indígenas de cinco aldeias relataram que vêm sofrendo ameaças e hostilidades desde o bloqueio/Foto: Reprodução
Entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março de 2025, representantes do MPF estiveram na Terra Indígena Jaminawa do Igarapé Preto para dialogar com lideranças locais.
Durante a visita, indígenas de cinco aldeias relataram que vêm sofrendo ameaças e hostilidades desde o bloqueio da estrada. Segundo eles, os ataques, que incluem ofensas de cunho racista, ocorrem tanto presencialmente quanto por meio de redes sociais e veículos de comunicação.
O MPF destacou que a decisão judicial foi resultado de uma ação movida em parceria com o Ministério Público do Estado do Acre, após a constatação de irregularidades cometidas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (DERACRE) e pelo Município de Porto Walter na execução da obra. Foram identificados danos ambientais e violações aos direitos das comunidades indígenas da região.
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Diante das denúncias de ameaças, o Ministério Público reforçou que atitudes racistas e intimidações são crimes e estão sob investigação. Além disso, a instituição garantiu que seguirá acompanhando o caso para assegurar tanto o cumprimento da decisão judicial quanto a proteção dos povos indígenas impactados pela obra irregular.
