Inter volta a ser campeão, exorciza fantasmas e abre caminho para nova era

Colorado confirma supremacia com título do Gauchão invicto e mostra força para arrancada por mais taças

Não era para demorar tanto. O pior jejum estadual da história do Inter. Mais dolorido até que os tortuosos anos 1990. O Gauchão, antes já preterido, hoje tem status de conquista de imponência. E com méritos. O desempenho do time de Roger Machado chancelado pela invencibilidade que confirma a soberania após o empate em 1 a 1 no Gre-Nal 446 na tarde de domingo no Beira-Rio. Ainda indica que uma nova era tem espaço para nascer no Beira-Rio.

A festa no campo, acompanhado pelo tradicional banho de gelo do grupo em Roger, deu a cara de um grupo aliviado por acabar com a seca (e ainda impedir o octa do Grêmio). Mas deixou claro que pretende que esse seja um primeiro passo.

– O primeiro de muitos – disse o técnico enquanto recebia mais um cumprimento no gramado.

O Inter tinha responsabilidade de reencontrar o caminho das taças e manter uma de suas glórias: ser o único a ter oito títulos seguidos do Gauchão. Feito este que apareceu em alfinetadas, como na camisa do título com os dizeres “ser octa não é para qualquer um”. O próprio presidente Alessandro Barcellos, de forma sutil, também deixou viva a rivalidade, com a camisa do Inter com o número 8 às costas.

Em campo, o Colorado entrou com o título pavimentado após a vitória por 2 a 0 na Arena. E nada daria errado na quente e ensolarada tarde de domingo. Ainda saiu à frente com uma pintura de Valencia em uma cobrança de falta no ângulo direito de Tiago Volpi, para dissipar qualquer receio que poderia ter um novo fracasso no Beira-Rio.

Sim, o equatoriano, que fraquejou na Conmebol Libertadores de 2023 e não brilhou no Gauchão e Copa do Brasil ano passado, deu a volta por cima. A insistência de Roger acabou recompensada com o golaço para delírio dos quase 50 mil colorados.

O empate de Wagner Leonardo não trouxe qualquer interrogação. Era o momento do Inter. O time manteve as rédeas da partida e cozinhou até o apito de Marcelo de Lima Henrique.

A festa teve, obviamente, provocações ao Grêmio, seja com músicas ou inúmeros caixões tricolores. Vitão era dos mais empolgados. Bernabei e Kaique Rocha davam o ritmo com os bumbos, enquanto os companheiros entoavam as músicas das arquibancadas e posavam orgulhosos com a taça e atendiam os fãs.

O que também mostra um grupo conectado com a torcida, que conhece cânticos e a entende a rivalidade Gre-Nal. Ficou para trás o temor de que o Inter sucumbiria no Beira-Rio lotado. Um dos fantasmas quebrados por esse título gaúcho.

Alan Patrick e Fernando dão a volta olímpica com a taça do Inter — Foto: Tomás Hammes

Alan Patrick e Fernando dão a volta olímpica com a taça do Inter — Foto: Tomás Hammes

A alegria pelo título tem em Vitão, Fernando e Alan Patrick o esteio. O trio de protagonistas apresenta uma qualidade superior ao que se encontra no Grêmio. No domingo histórico, receberam a parceria de Enner Valencia. De esperança a contestado, o atacante recompensou a insistência de Roger com um golaço de falta

Acima deles, Roger Machado. Outro que precisou dissipar a desconfiança em razão do passado no Grêmio. Com trabalho, qualidade e liderança, cativou o vestiário e montou um time sólido, que mereceu a conquista.

Alan Patrick faz a festa com a torcida do Inter — Foto: Tomás Hammes

Alan Patrick faz a festa com a torcida do Inter — Foto: Tomás Hammes

O primeiro objetivo foi atingido. Acabar com o hiato de títulos. Agora é necessário o próximo passo. Roger sabe o caminho que e está pronto para liderar uma nova senda de vitórias. Os torcedores anseiam por isso.

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