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Marina é covardemente atacada: senador mira na discordância e acerta no mau-caratismo

Por EDITORIAL CONTILNET

Simone de Beauvoir é magnânima ao afirmar que o machismo faz com que o mais medíocre dos homens se sinta um semideus diante de uma mulher. O senador do Amazonas, Plínio Valério (PSDB), é o exemplo clássico disso, especialmente quando, do alto do seu narcisismo e das profundezas de sua misoginia ultrapassada e escancarada, fala sobre a possibilidade de enforcar a acreana e ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva/Foto: Reprodução

Não bastasse vomitar tamanha violência contra uma mulher negra, alfabetizada aos 14 anos e que se destacou Brasil afora por sua luta em defesa do meio ambiente, o senador tentou se justificar classificando o ataque como uma brincadeira. Além disso, fez questão de dizer que não se arrepende do que jamais deveria ter dito, caso tivesse o mínimo de decoro e respeito pelas mulheres que lutam diariamente para viver em um país que ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios.

Plínio ultrapassou covardemente o campo democrático das discordâncias e contradições e, inescrupulosamente, acertou o lugar da perversão e do mau-caratismo. Arrotou violência e se orgulhou disso.

O relógio ainda parece apontar para a Idade Média. O senador recebeu da maioria de seus pares o silêncio como forma de conivência e cumplicidade. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, chegou a repudiar o ato, mas de forma tímida, chamando Plínio de “querido” e dizendo que o senador se equivocou. Ele não é um “querido” e, tampouco, se equivocou. Praticou um crime e deve ser interpelado judicialmente, além de levado a julgamento no Conselho de Ética da Casa. Se nada disso acontecer, a história será o grande tribunal para a conduta desprezível do político.

Em um país sério, Plínio e seus iguais não teriam espaço no parlamento. Sua ascensão é o retrato vivo do Congresso que temos, cada vez mais distante do que realmente precisamos.

Nossa solidariedade à ministra e conterrânea Marina Silva. Nenhuma mulher merece passar por isso.

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