A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, foi declarada inelegível nesta segunda-feira (31) pela Justiça francesa.
Le Pen foi condenada por desvio de verbas públicas e também sentenciada a quatro anos de prisão — das quais duas devem ser anuladas. A Justiça decidiu que ela deve ficar inelegível por cinco anos. Ela deve recorrer da decisão.
Segundo a condenação, ela desviou verbas de gabinete quando era deputada no Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido, o Reunião Nacional.
No julgamento, Le Pen e seu partido argumentaram que o dinheiro foi usado de forma legítima e que as alegações definiram de forma muito restrita o que um assistente parlamentar faz.
Mas a juíza Bénédicte de Perthuis, que anunciou o veredito, disse que Le Pen sabia do esquema e estava “no centro” dele.
A juíza, do tribunal do Paris que julgou o caso, calculou o prejuízo total em 2,9 milhões de euros (cerca de R$ 18 milhões de reais), ao fazer “o Parlamento Europeu pagar pessoas que na realidade trabalhavam para o partido”.
Repercussão
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A líder do partido da extrema direita da França, Marine Le Pen, deixa tribunal após ser condenada por desvios de fundos públicos, em 31 de março de 2025. — Foto: Stephanie Lecocq/ Reuters
O Reunião Nacional disse que a sentença desta segunda foi a “execução da democracia francesa”.
Aliados de Le Pen também criticara a decisão. O Kremlin disse que a Justiça francesa condenou a democracia no país — o presidente russo, Vladimir Putin, já fez declarações favoráveis a Le Pen, que costuma ser questionada na França por sua proximidade com ele.
O presidente da Hungria, Viktor Orbán, também da extrema direita, condenou a decisão.
Marine Le Pen ainda não havia se pronunciado sobre a condenação até a últiam atualização desta reportagem. Ela deixou o tribunal antes de o juiz anunciar a sentença.
‘Momento político sísmico’
Arnaud Benedetti, analista político que escreveu um livro sobre o RN, disse que a proibição de Le Pen é um momento decisivo na política francesa que repercutirá em todos os partidos e no eleitorado.
“Esse é um evento político sísmico”, disse ele. “Inevitavelmente, isso vai remodelar o grupo, especialmente à direita.”
O que acontece agora?
Apesar de Marine Le Pen ainda não ter se manifestado, os franceses já começaram a especular os cenários a partir da inelegibilidade da deputada.
O principal cenário é que Jordan Bardella, considerado o “pupilo” de Le Pen, se candidate em seu lugar. Bardella chegou a concorrer, no ano passado, nas eleições para primeiro-ministro — cargo que governa em conjunto com presidente na França mas tem menos importância e peso simbólico no país europeu.
Nesta segunda, Bardella se pronunciou sobre a condenação de Le Pen, dizendo que “foi a democracia que foi assassinada hoje”. Mas ele não informou se pretende concorrer no lugar da deputada.

