Com o recuo do Rio Acre, que já está abaixo dos 10 metros na capital acreana, famílias desabrigadas pela enchente o manancial, que chegou a atingir 15,88 metros em Rio Branco começaram a retornar para suas residências desde a última quinta-feira (27). A primeira etapa ao voltar para casa tem sido a limpeza e desinfecção dos imóveis.
A medida é essencial para evitar diversas doenças relacionadas às inundações. Em um vídeo gravado para o site ContilNet, o médico imunologista Guilherme Augusto Pulici, falou sobre as principais ameaças à saúde pública nesse momento pós-enchente.

O imunologista recomenda precauções a serem adotas ao retornar para casa após uma enchente/ Foto: Cedida
Segundo o especialista, nesse momento o contato com a lama e os detritos são fatores que colocam em risco a saúde dos moradores das regiões atingidas pelas águas.
“Quando o nível do rio baixa, doenças como leptospirose e infecções de pele tendem a aumentar, pois a lama e os detritos deixados pelas águas são ambientes ideais para bactérias. A inalação de poeira dessa lama seca também pode irritar as vias aéreas, provocando alergias ou problemas respiratórios”.

Com a redução do nível do Rio Acre, as águas deixaram os bairros que estavam alagados/ Foto: ContilNet
Outro problema comum, segundo o médico, é a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. “A água parada acumulada em entulhos e objetos esquecidos pode favorecer a reprodução do mosquito”, destacou.
O retorno das famílias é um passo importante para a reconstrução da rotina, no entanto, exige cuidados redobrados para evitar complicações de saúde, enfatizou o imunologista.
“A atenção às medidas de prevenção é essencial para garantir uma retomada segura e livre de riscos sanitários”, finalizou.
Doenças mais comuns e seus sintomas
– Leptospirose: Os sintomas incluem febre alta, dor intensa nas panturrilhas e, em alguns casos, olhos avermelhados ou amarelados. Pode piorar rapidamente, por isso, qualquer suspeita deve ser levada a um médico imediatamente.
– Hepatite A: Caracteriza-se por náuseas, cansaço, pele amarelada e urina escura. Afeta diretamente o fígado e pode se agravar se não tratada.
– Diarreias infecciosas: Podem levar à desidratação rápida, exigindo atenção, principalmente em crianças e idosos.
– Infecções de pele: A umidade e o contato com a lama contaminada favorecem o surgimento de micoses e irritações na pele
– Problemas respiratórios: A poeira da lama seca pode ser altamente irritante, agravando sintomas alérgicos e respiratórios em pessoas sensíveis.
O imunologista recomenda, ainda algumas precauções a serem adotas ao retornar para casa após uma enchente, são elas:
– Use botas e luvas para evitar contato direto com lama e água contaminada.
– Limpe tudo com água sanitária, utilizando a proporção de 10 ml para 1 litro de água.
– Descarte qualquer alimento que tenha sido atingido pela água da enchente, mesmo os que ainda estiverem embalados.
– A água para consumo deve ser fervida ou tratada com duas gotas de hipoclorito de sódio por litro.
– Manter o lixo bem fechado e evitar acúmulo de entulhos ajuda a reduzir a presença de ratos e mosquitos.
Veja o vídeo:
