O médico paulista Tercio Genzine, especialista em cirurgia do aparelho digestivo pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e que trata de pacientes no Acre há mais de 20 anos, já realizou centenas de procedimentos em pacientes locais, com transplantes de fígado – razão pela qual já foi objeto, inclusive, de homenagens.
Ele utilizou suas redes sociais para homenagear um de seus pacientes que não só sobreviveu, mas agora luta para ser ele também um profissional de saúde, para combater doenças. Genzine é especialista com focos de atuação em fígado e pâncreas, incluindo doenças benignas, oncologia e transplantes, com capacitação em cirurgias laparoscópicas ou videolaparoscopia (VLSC), procedimento cirúrgico feito na região do abdômen e pelve para diagnóstico de doenças, biópsias ou até mesmo retirada de cistos.

Daniel, paciente transplantado, e o médico Tercio Genzine, que acompanhou sua recuperação e agora apoia seus estudos para se tornar enfermeiro/Foto: Arquivo pessoal
Nesta condição, como já o fez com milhares de pacientes acreanos, o médico travou contato com Daniel, nascido em Tarauacá, interior do Acre, cuja história o próprio Tercio Genzine fez questão de contar em suas redes sociais.
“Esta é a história de um garoto da Amazônia, que logo ao nascer, em 2001, em Tarauacá – Acre, sofreu transmissão vertical de hepatite B e delta, um problema que ocorre no parto quando uma mãe portadora de hepatite não faz diagnóstico pré-natal e nem tratamento e, logo ao nascer, o recém-nascido não recebe globulina hiperimune e nem vacina contra hepatite B, que poderiam evitar esse problema”, revelou o médico.

Tercio Genzine, especialista em transplante de fígado, dedica-se com carinho a seus pacientes no Acre há mais de 20 anos/Foto: Arquivo pessoal
Ainda de acordo com o médico, Daniel teve dois irmãos e um deles também sofreu desse problema.
“Tão jovem, aos oito anos de idade, Daniel e seu irmão Maciel já tinham cirrose e todas as suas complicações. Daniel e seu irmão se tornaram órfãos, pois sua mãe não resistiu às complicações da cirrose. Ainda aos 8 anos, Daniel passou por um transplante de fígado, assim como seu irmão, Maciel, logo depois. E tudo ia bem, com saúde recuperada e esperança nos estudos. Mas a Amazônia fica num país chamado Brasil, e nesse país, a segurança pública não existe! Esse é um país dominado pelo narcotráfico e com políticos e um judiciário fracos e coniventes, que concordam com o crime… Então, passeando de bicicleta, Daniel e Maciel foram abordados por criminosos, e Maciel não resistiu aos ferimentos. Daniel prosseguiu!”, revelou o médico.

Equipe dedicada que contribui para o sucesso dos transplantes de fígado no Acre, com 100% de êxito nos procedimentos realizados/Foto: Arquivo pessoal
Os cuidados com o paciente Daniel continuaram.
“Sempre tentamos orientá-lo e ajudá-lo na medida do possível, com material escolar e o que ele sempre precisou para concluir os estudos. Hoje ele tem 24 anos e está terminando o ensino médio. Daniel quer ser enfermeiro! Linda escolha, de uma profissão que tanto admiro. E nas minhas vindas aqui no Acre, ajudar o Daniel a fazer faculdade de enfermagem é uma das minhas metas… E já estou procurando amigos que possam ajudar, e felizmente a UNINORTE está abrindo as portas para fazer parte dessa história de resiliência, resistência, esforço e fé. Daniel está avisado, que o estudo é o melhor caminho e, para chegar aos seus objetivos, terá que estudar muito. Sua saúde está ótima, seu fígado maravilhoso, já é um adulto que mora sozinho e cuida da sua vida. Para as candidatas a namoradas, já falei pro Daniel que devem esperar, porque o primeiro casamento será com o DIPLOMA! Essa é a história de um povo que vive na Amazônia. O mundo fala da FLORESTA, mas esquece do povo da FLORESTA!”, disse o médico.
É por este comportamento e sua dedicação a seus pacientes acreanos que Tercio Genzine já foi, inclusive, homenageado como um dos principais responsáveis pelo sucesso e eficácia dos transplantes de fígado realizados no Acre. A homenagem ao médico, ainda em 2016, partiu de servidores e pacientes do Serviço de Assistência Especializada (SAE), do Hospital das Clínicas (HC).
“Tenho muitos pacientes em São Paulo, mas a relação com os acreanos é diferente. Aqui existe troca de carinho e acolhimento. Sou muito grato por fazer aquilo que gosto”, afirmou o médico, na época.
Naquela época, no Acre, já havia sido feito 14 transplantes de fígado. O Acre é o único estado da região Norte ativo nessa área médica e que possui 100% de resultado positivo nos procedimentos realizados.
“A média de êxito no país é de 80%. Aqui no Acre nos deparamos com 100% de transplantes que deram certo, em que os pacientes retomaram à normalidade de suas vidas. Isso, sem dúvidas, é algo que deve ser celebrado, pois é mérito dos investimentos do Estado e dedicação da equipe de saúde”, ressaltou Tercio Genzine.
