Mesmo com registros na Bolívia, Acre segue sem casos confirmados de sarampo há 25 anos

Último boletim da Sesacre confirma que o estado mantém o controle da doença, enquanto países vizinhos registram novos casos; vacinação segue como principal estratégia de prevenção

O último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), nesta sexta-feira (28), mostra que o Acre continua livre de casos de sarampo.

Os últimos casos confirmados da doença em todo o estado foram registrados nos anos 2000, sendo três casos no município de Acrelândia, um em Mâncio Lima, um em Plácido de Castro e seis em Rio Branco, totalizando 11.

O Acre continua livre de casos de sarampo/Foto: Reprodução/Web

“Analisando uma série histórica dos últimos oito anos dos casos notificados de sarampo, nota-se uma regularidade no número de notificações, mantendo uma média entre dois e cinco casos notificados. O ano de 2015 não apresenta essa similaridade, já que não houve nenhum caso notificado no decorrer do ano”, diz um trecho do boletim.

Em 2018, o Acre relatou 63 casos, distribuídos em seis municípios, sendo todos descartados por critério laboratorial. O município de Rio Branco apresentou o maior número de notificações, totalizando 48 casos. Já em 2019, apenas 11 casos foram notificados no estado, pelos municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Plácido de Castro, Porto Acre, Acrelândia, Tarauacá e Rio Branco.

“Considerando o cenário epidemiológico da Covid-19 no Brasil e no mundo, as notificações de sarampo diminuíram significativamente, sendo que, nos anos de 2020 a 2023, foram notificados apenas três casos, todos descartados por laboratório”, acrescenta o boletim.

Em 2024, quatro casos suspeitos de sarampo foram registrados no estado do Acre, sendo um no município de Brasiléia, um em Acrelândia, um em Cruzeiro do Sul e um em Rio Branco. Todos os casos foram submetidos a investigação epidemiológica e laboratorial, sendo descartados com IgM não reagente.

No ano de 2025, não foram registrados casos suspeitos de sarampo.

“É importante que as equipes de saúde estejam alertas e sensíveis a possíveis casos suspeitos de sarampo no estado, para agir em tempo oportuno com medidas de prevenção e controle pertinentes”, pontuou a Sesacre.

O sarampo é uma doença infecciosa, grave e contagiosa, causada pelo vírus Morbillivirus. É uma das principais responsáveis pela mortalidade infantil em países do Terceiro Mundo.

O Acre segue livre do sarampo, apesar de três casos terem sido confirmados no país vizinho, a Bolívia, entre a semana epidemiológica (SE) 1 e a SE 40 de 2024.

Situação no Brasil

De 2010 a 2015, o Brasil enfrentou surtos de sarampo em diferentes estados. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010 foram confirmados 68 casos; em 2011, 43 casos; em 2012, dois casos; em 2013, 220 casos; em 2014, 876 casos; e em 2015, 214 casos, totalizando 1.423 casos. O estado do Ceará registrou o maior número de casos confirmados (1.052). Amostras clínicas foram coletadas para identificação viral dos casos de sarampo ocorridos no Brasil, e foram identificadas infecções pelos genótipos D8, B3, D4 e G3, sendo o genótipo D8 o responsável pela maioria das infecções no país.

Em 2016 e 2017, não foram reportados casos confirmados de sarampo no Brasil. Já em 2018, 11 estados reportaram casos da doença, sendo eles: Roraima (361), Rio Grande do Sul (47), São Paulo (3), Rondônia (2), Pará (80), Pernambuco (40), Rio de Janeiro (20), Sergipe (4), Distrito Federal (1), Bahia (3) e Amazonas (9.803), totalizando 10.328 casos confirmados. Os genótipos identificados foram o D8, em 9.329 casos, e o B3, em um caso no estado do Rio Grande do Sul. Dos casos confirmados, 12 evoluíram para óbito, sendo quatro no estado de Roraima, seis no Amazonas e dois no Pará.

Em 2019, foram notificados 53.761 casos suspeitos de sarampo, dos quais 21.704 foram confirmados. O maior número de casos ocorreu em São Paulo (18.049) e no Paraná (1.599), ambos com genótipo D8. Já em 2020, ocorreu uma redução significativa de surtos no Brasil, com 8.035 casos confirmados, distribuídos em 20 estados e no Distrito Federal, sendo que Pará (4.844) e Rio de Janeiro (1.358) registraram o maior número.

O genótipo identificado nos anos de 2021 e 2022 foi o D8, com seis estados registrando casos, incluindo o Amapá, que teve o maior número (534) em 2021. Em 2022, quatro estados mantiveram registros, com o Amapá ainda liderando em casos confirmados. No ano de 2023, não houve surtos de sarampo no país.

Em 2024, foram notificados 2.232 casos suspeitos de sarampo, dos quais cinco foram confirmados, sendo quatro casos importados, com identificação dos genótipos B3 e D8, e um caso de ocorrência esporádica, cuja fonte de infecção é desconhecida, pois não foi identificado contato com viajantes nem registro de viagem nacional ou internacional.

Até a semana epidemiológica 9 de 2025, foram notificados 149 casos de sarampo, dos quais três foram confirmados: dois no estado do Rio de Janeiro e um no Distrito Federal. Além disso, 60 casos permanecem em investigação.

Vacinação

A tríplice viral é uma das vacinas ofertadas no Calendário Nacional de Vacinação. O esquema vacinal corresponde a duas doses para pessoas de 12 meses até 29 anos de idade e uma dose para adultos de 30 a 59 anos. Esse imunizante protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – três doenças altamente infecciosas que podem causar sequelas graves e foram responsáveis por epidemias no passado.

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