O Mercado Velho de Rio Branco conta com diversos comerciantes que atendem centenas de pessoas que passam por lá diariamente, entretanto, uma das pensões que alimentam a população acreana que mais chamam atenção é a da Mãezinha.
Alzira Apolinário Maia é a mulher por trás da Mãezinha/Foto: ContilNet
O nome envolto em ternura traduz bem a personagem por trás do pequeno restaurante, aberto há 18 anos, no mesmo ponto. Alzira Apolinário Maia, natural de Sena Madureira, segue trabalhando no mesmo lugar, aos 64 anos, levando o seu tempero de mãe para aqueles que visitam sua pensão.
Ela, que foi mãe aos 34 anos, e novamente aos 35, diz se sentir orgulhosa de ter criado os filhos com os lucros vindos da pensão, e conta um pouco sobre sua rotina diária para servir diariamente o almoço.
“Ah, eu acordo às 5:30 e saio de casa antes das 6:30 porque é a hora que o supermercado abre. Eu chego aqui às 7:00, 7:30 e aí eu começo a fazer minhas coisas. Eu mesmo que tempero minhas carne, que faço minha comida toda e na hora de servir, meu genro que leva os pratos. Estamos aqui todo dia, até essa hora mais ou menos, umas 15:00”, conta a Mãezinha.
Ela se emociona durante o momento que lembra dos clientes recorrentes, que muitos deles estão ali semanalmente, outros somem e quando reaparecem, geram uma alegria pelo reencontro.
“São clientes fieis mesmo, não vem todo dia, mas ele sempre aparece e a gente fica feliz. Isso é muito gratificante, as pessoas conhecem a gente e eu me sinto muito grata por isso”, disse ela, enxugando os olhos.
O empenho é tanto, que nem ao mesmo a equipe do ContilNet diminuiu seu empenho no trabalho/Foto: ContilNet
O espaço preserva ainda a simplicidade e ternura que o nome sugere, com um sorriso no rosto, sempre com uma brincadeira na ponta da língua, os pratos do dia escritos em quadro ao fundo, transportam qualquer um que já passou.
Sobre clientes que marcaram sua história, ela revela que um em especial manda mensagem diariamente para ela, com saudades do tempero da Mãezinha. “Eu tenho um cliente que ele comeu comigo por 10 anos. Ele foi embora e todo santo dia ele me passa mensagem, hoje ele tá em Ribeirão Preto, em São Paulo, mas todo dia fala comigo”, revela.
Mãezinha diz que a pensão foi o que possibilitou ela cuidar dos filhos e fez com que eles pudessem concluir seus estudos. A menina virou arquiteta, o menino, engenheiro, tudo graças às refeições vendidas.
“Tem hora que me dá vontade de parar porque é muito cansativo, mas no mesmo instante os clientes da gente que chega, fala contigo, te dá um abraço, te dá um cheiro, isso aí para mim é maravilhoso”, conta com os olhos marejados.
A Pensão da Mãezinha guarda na simplicidade a carinho pelo que faz o segredo de tanto sucesso/Foto: ContilNet
Por fim, ela conta ainda que se manter por tanto tempo só foi possível com as especializações que buscou, por meio do estudo, em cursos no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
“Em 2015 teve um festival de gastronomia aqui dentro do Mercado e eu conheci a professora Fernanda do Senac e o professor Raimundo Ananias. Fiz o curso de gastronomia no Senac e também curso técnico de gastronomia e aí foi que eu amei mais trabalhar”, conta.
