Pensar Grande
É um grande mote: “ PENSAR GRANDE “. E dá o mesmo trabalho que “PENSAR PEQUENO”. Sendo que, em ocorrendo o primeiro ( planejamento/sonho), “Resolve” é, segundo caso, talvez, possa “Remediar”. Tanto no contexto Pessoal quanto no estatal. A vida não faz distinção.
Cá, entre nós, no estado brasileiro, os planejamentos são do GOVERNO, não são Planejamentos de ESTADO.
Assim, no entra sai dos governos, obras do governo anterior são abandonadas. Começam-se outras. Um “lugar comum”. Mas a Sociedade não se mobiliza. E o resultado é, hoje, sem adentrar no mérito, se ter algo em torno de 40 mil ( 40.000) obras públicas paralisadas/abandonadas. Debitam-se, sempre, a governos antecessores. Ninguém quer criar os “filhos dos outros”.
Um grande desperdício de recursos públicos e, não raro, até em empreendimentos essenciais à melhoria de vida dos cidadãos, ficam “às moscas”.
Há muitas obras que, não sendo Planejamento do Governo, mas de ESTADO, que nos demonstram a urgente necessidade de normalização ( via regra legal) para coibir tais ações. Sem inibir a discricionariedade administrativa dos governantes de plantão, mas obrigar – que algumas metas/propósitos estatais – sejam continuadas e conclusas. Um Projeto de Pais. Um objetivo estratégico baseado na consolidação e melhoria dos produtos entregues à sociedade. Com fortalecimento das infraestruturas e massificação do espírito nacionalista.
Cito, como exemplo, dentre outros, a Represa BILLINGS (SP), que completou 100 anos de inauguração – neste 26.03.2025. Obra que orgulha seus mentores, descendentes e a comunidade local.
Proposta de aproveitamento hidroelétrico das águas dos rios Tietê e Pinheiro e o seus desníveis com a Serra do Mar.
Implementação, a pedido do Governo de São Paulo, dos Projetos dos americanos, Eng. Asa White K. BILLINGS e do Advogado e Eng. Henry BORDEN. Executado via Empresa Ligth – Concessionária de Eletricidade, à época. Eles e uma Equipe de Profissionais de alto gabarito, levaram a cabo este importante empreendimento público.
Onde tiveram seus nomes referendados na Represa BILLINGS e na Hidrelétrica BORDEN. Obras que estão a servir e ajudar no desenvolvimento do estado de São Paulo, faz 100 anos. Um dos grandes manancial de Reservação de Superfície para fins de Saneamento Básico ( aproveitamento de água potável) da América Latina.
Imundando área de 106,6 Km2. Antropizando 127 Km2. Com 995 milhões e 476,56 milhões de metros cúbicos, de reservação e aproveitamento, respectivamente. Atende a 11% da população de São Paulo.
Beleza de exemplo: PENSAR GRANDE, idealizado 1925.
Mas há diversos exemplos de que o Planejamento de ESTADO é exitoso, como: Rodoviária do Tietê (1982), Itaipu Binacional(1984), Zona Franca de Manaus(1967), Rodoanel-Eng. Mário Covas( 2002/2026) e vai por aí!…
Aqui, no nosso Acre, temos uma atipicidade hídrica. De Julho/Outubro é a janela do verão. Viramos “SERTÃO”!
As propriedades rurais que não possuem açudes passam muitas dificuldades para manter ser animais. Não há água. Os igarapés secam.
O abastecimento da cidade de Rio Branco ( cerca de 400 mil pessoas) passa por quase racionamento.
Já, em contraste, no inverno amazônico (novembro/abril)- o principal manancial hídrico – o Rio Acre, tem nível que chega à cota de
15,0m ( quinze metros). Quando, no verão, baixa ao nível de 1,5m( metro e meio). Oscilação da lâmina d’água em torno de 10m. Em números redondos. E isto não é SAZONAL, é mesmo ANUAL.
Todos os anos temos a repetição deste evento. O que estamos a viver, agora!
Hora de fazer Planejamento de Estado para enfrentar tal ocorrência natural.
Por que ainda não cuidamos de regular vazão do Rio Acre?
Algo, técnico e hidrologicamente , exequível. E a custo muito moderado se considerar um EVTEA – Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, pela ótica local.
Tratando o empreendimento como de grande alcance social e retorno econômico assegurado.
De uma única vez, com sustentabilidade, a regularização de vazão do Rio Acre( sugestão: 02( duas) Eclusas – no Rio Acre e Barramento – no Riozinho do Rola) resolve-se três grandes problemas que nos afligem.
Viabiliza-se o regular abastecimento de água, cria-se novo modal de transporte, ao longo do Rio e, ao tempo que se reduzirão, drasticamente , os desbarrancamentos ao longo do rios. A variação rápida do nível do rio é a principal causa.
Imagino custo de R$ 500 milhões. O que é NADA para o estado do Acre.
Veja-se que na BR 364, já estão investidos próximos de R$ 2 bilhões. Sem o resultado esperado . Tudo por conta de “PENSAR PEQUENO” ( Planejamento do Governo) não se obteve o final buscando: Rodovia Federal, com qualidade de BR.
Temos muitas cabeças brilhantes, aqui. Sem precisar buscar fora. Embora não seja dispensável a participação de quem queira ajudar, mas é fato: PODEMOS FAZER!…
Basta PENSAR GRANDE!…
Autor: Antonio de Lima Furtado
Engenheiro Civil e Sanitário, Mestrado em Desenv. Regional e Meio Ambiente e
Especialista em Saneamento Básico (UFSCar).
Acreano de Feijó.


