A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, nesta segunda-feira (14), o registro definitivo da primeira vacina contra a chikungunya no Brasil. O pedido foi feito pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em colaboração com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.
O imunizante, considerado inédito no mundo, foi submetido a testes clínicos nos Estados Unidos com cerca de 4 mil voluntários entre 18 e 65 anos. Os estudos demonstraram segurança e um alto índice de eficácia: quase 99% dos participantes apresentaram resposta imunológica positiva. Os dados foram divulgados pela revista científica britânica The Lancet.

Inicialmente, a produção será feita na Alemanha, pelo laboratório IDT Biologika, mas a expectativa é que, futuramente, o Instituto Butantan também assuma parte da fabricação / Foto: Cedida
Antes da liberação brasileira, a vacina já havia sido aprovada por agências reguladoras de peso internacional, como a FDA (Estados Unidos) e a EMA (União Europeia). Inicialmente, a produção será feita na Alemanha, pelo laboratório IDT Biologika, mas a expectativa é que, futuramente, o Instituto Butantan também assuma parte da fabricação.
Chikungunya no Brasil: alta incidência e sintomas marcantes
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti — o mesmo vetor da dengue e da zika — a chikungunya é uma infecção viral que tem ganhado força no país. Em 2023, foram contabilizados quase 270 mil casos e 213 óbitos decorrentes da doença.
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Diferente da dengue, que pode passar despercebida em muitos pacientes, a chikungunya provoca sintomas visíveis em aproximadamente 90% dos casos. O médico Drauzio Varella, em seu canal no YouTube, ressalta as principais manifestações:
“A doença começa com febre alta, calafrios e dores musculares intensas. Mas o que mais incomoda são as dores nas articulações, que afetam ambos os lados do corpo.”
De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, a distribuição da vacina será planejada pelo Ministério da Saúde com foco em áreas onde há maior concentração de casos.
