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Campeonato de Dominó em Braille promove inclusão e encerra semana de valorização do sistema no Acre

Por Luiz Eduardo, ContilNet

O primeiro Campeonato de Dominó em Braille, realizado pelo Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre (CAP), em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac), aconteceu nesta sexta-feira (11). O evento marcou o encerramento da Semana de Valorização do Sistema Braille, com atividades alusivas ao Dia Nacional do Braille, celebrado em 8 de abril.

Primeiro Campeonato de Dominó em Braille é realizado pelo CAP/ Foto: Reprodução

O campeonato reuniu alunos, familiares e professores na sede do CAP e representou mais do que uma competição lúdica — foi uma ação concreta de promoção da inclusão e da acessibilidade.

Para a coordenadora da instituição, Cristina Nogueira, o evento é um símbolo da democratização do acesso ao lazer e ao convívio social:

“Agora, com as peças em braille e com figuras em relevo, o jogo se tornou acessível. Temos a participação dos estudantes, dos familiares e também dos professores, fortalecendo a inclusão e promovendo um momento de lazer com acessibilidade”, destacou Cristina.

Segundo Cristina, o projeto do dominó acessível foi idealizado a partir da escuta ativa dos estudantes. O material foi testado, avaliado e aprimorado com a colaboração direta da comunidade atendida pelo centro:

“Os alunos já tinham o hábito de jogar dominó, mas até então não contavam com um modelo adaptado. Essa parceria mostra como a inclusão pode nascer da colaboração”, reforçou a coordenadora.

Um dos idealizadores da proposta foi o professor Sérgio Brasil Júnior, do Centro de Ciências Tecnológicas da Ufac. Ele contou que a ideia surgiu durante um curso de manufatura aditiva, no âmbito do Projeto N.A.V.E Tech Acre, iniciativa da universidade que visa estimular o empreendedorismo e a inovação entre os estudantes.

O desafio era criar um projeto educacional usando impressão 3D. A proposta escolhida foi justamente o dominó em braille.

“Sabíamos que quem deveria validar o produto eram justamente as pessoas com deficiência visual. Fizemos mais de dez visitas ao CAP para adaptar o projeto com base nas sugestões dos estudantes. O campeonato foi a culminância desse processo. É muito gratificante ver esse produto sendo usado com alegria e servindo ao aprendizado”, relatou o professor.

A estudante Lidiane Mariano, aluna do CAP, participou de todas as fases do projeto. Ela foi uma das primeiras a testar o dominó adaptado e ajudou a divulgar o jogo entre os colegas.

“No início, tive dúvidas se conseguiria jogar com o novo modelo. Mas consegui, e ainda ensinei outros colegas. O mais bonito é ver pessoas que nunca jogaram se sentirem incluídas a partir dessa novidade. Isso é inclusão de verdade”, afirmou Lidiane.

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