É comum em acidentes de trânsito, testemunhas afirmarem, em juízo, que a velocidade era baixa, tipo 30km/h, e outras afirmarem que era muito alta, tipo 110km/h, criando dessa forma um embaraço pra julgamento final, pelo fato de essas informações testemunhais serem subjetivas, sem cunho científico, usando apenas o achismo e o “olho-velocímetro”!
E se a placa de velocidade máxima para a via era de 40km/h, como saber, com precisão, qual a velocidade real pra que o Juiz decida o caso?
Para calcular a velocidade, os experts aplicam fórmulas físicas que quantifiquem a energia mecânica adquirida pela velocidade/ Imagem: Ilustrativa
Aí que entra a ciência, usada pelos Peritos Criminais para instruir o julgamento.
Conforme ensina o Perito Criminal acreano, Haley Márcio Vilas Bôas da Costa, para calcular a velocidade, os experts aplicam fórmulas físicas que quantifiquem a energia mecânica adquirida pela velocidade – esta até então desconhecida e que é um dos objetivos periciais do laudo – e que essa energia foi gasta pra poder parar o veículo!
O perito Haley Márcio discorre sobre o tema/ Foto: Cedida
Como assim? Em quais cenários se consome a energia originária do movimento?
Conforme Haley, vários fenômenos conhecidos consomem essa energia inicial, como:
- frenagem, que consome parte da energia para diminuir a velocidade;
- com a colisão os veículos deformam e quebram, fazendo com que outra parcela de energia seja gasta
- após isso o veículo pode rotacionar, capotar ou tombar, onde outra parcela de energia é consumida;
- finalmente o veículo choca contra um poste, onde rompe e desloca esse poste, ou quebra o para-brisa, ou lança, em um atropelamento ou capotamento, uma pessoa a uma certa distância, consumindo o restante da energia, pois percebe-se que o veículo parou!
Exemplificando o caso real acima, os Peritos calcularam 20m de frenagem de um veículo Gol, o que consumiu 137.000 Joules; a colisão que provocou quebramentos nos veículos consumiu 63.000 Joules; a rotação consumiu 12.000 Joules e a ruptura do poste consumiu 50.000 Joules! Isso somado deu 262.000 Joules, onde se chega na velocidade real do veículo através da fórmula de conservação de Energia: Energia total = massa do veículo X Velocidade ao quadrado/ 2, o que resulta numa velocidade do Gol da ordem de 83 km/h!
Esse resultado materializa a velocidade excessiva para a via, em mais de 100%, o que, científica e objetivamente, assessora o juiz quanto ao seu julgamento final, fechando o caso!
