O que de fato causou o extermínio dos dinossauros? Por muito tempo, acreditou-se que apenas o asteroide que colidiu com a Terra teria responsabilidade pelo fim das criaturas pré-históricas. No entanto, diversos estudos publicados nas últimas décadas têm apontado que a população dos dinossauros poderia já estar em declínio antes da colisão, citando motivos como uma intensa atividade vulcânica.

Conceito artístico de Gondwanax paraisensis em uma paisagem triássica do atual sul do Brasil. Ele viveu quase 10 milhões de anos antes de qualquer outro dinossauro conhecido — Foto: Matheus Fernandes Gadelha
Agora, porém, um novo trabalho reacende o debate ao fornecer evidências de que, na realidade, a extinção dos animais jurássicos pode sim ter sido causada somente pelo asteroide – não fosse por ele, possivelmente os dinossauros ainda estariam vivos. É o que afirmam pesquisadores da University College of London, no Reino Unido, que publicaram o estudo na revista científica Current Biology.
Segundo os autores, a ideia de que os dinossauros já estavam em declínio antes de um asteroide exterminar a maioria deles, há 66 milhões de anos, pode ser explicada por um registro fóssil cada vez mais escasso daquele período, em vez de uma real redução real nas suas populações.
Os cientistas analisaram mais de 8 mil fósseis da América do Norte nos 18 milhões de anos que antecederam o impacto do asteroide no fim do período Cretáceo (entre 66 e 84 milhões de anos atrás). Eles explicam que, à primeira vista, os dados de fato sugerem que os dinossauros teriam atingido o pico de sua população por volta de 75 milhões de anos atrás, e teriam entrado em declínio cerca de 9 milhões de anos antes do asteroide.
Foram evidências como essa que levaram à crença por parte dos cientistas de que a colisão não teria sido a única responsável pelo extermínio. Porém, o novo estudo afirma que essa tendência observada se deu ao fato de que os fósseis mais recentes eram mais escassos, em parte porque há menos locais com rochas expostas e acessíveis do final do Cretáceo, e não por um real declínio das populações.
“Esse tem sido um tema debatido há mais de 30 anos — os dinossauros estavam condenados e já em declínio antes de o asteroide atingi-los? Nós analisamos o registro fóssil e descobrimos que a qualidade do registro de quatro grupos de dinossauros (clados) piora nos seis milhões de anos finais antes do asteroide”, resume o principal autor do artigo e pesquisador do Departamento de Ciências da Terra da UCL, Chris Dean, em comunicado.
O especialista explica ainda que, embora a probabilidade de encontrar fósseis de dinossauros dessa época tenha diminuído, as chances de os dinossauros terem continuado vivos e vivendo nessas áreas se manteve estável, pelo menos na América do Norte.
“Logo, nossas descobertas sugerem que, ao menos nessa região, os dinossauros podem ter estado em situação melhor do que se pensava anteriormente nos momentos que antecederam o impacto, possivelmente com uma diversidade de espécies maior do que vemos no registro fóssil bruto”, continua o cientista.
“Os dinossauros provavelmente não estavam inevitavelmente condenados à extinção no fim do Mesozoico. Se não fosse pelo asteroide, eles talvez ainda compartilhassem este planeta com mamíferos, lagartos e seus descendentes sobreviventes: as aves”, complementa Alessandro Chiarenza, também autor do estudo e pesquisador do Departamento de Ciências da Terra da UCL.
Os clados de dinossauros analisados foram: Ankylosauridae (herbívoros blindados como o Anquilossauro), Ceratopsidae (grandes herbívoros de três chifres, como o Tricerátopo), Hadrosauridae (herbívoros de bico de pato como o Edmontossauro) e Tyrannosauridae (carnívoros como o Tyrannosaurus rex).
