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 Os índices futuros das bolsas norte-americanas recuavam de forma generalizada nesta segunda-feira, refletindo a continuidade da postura tarifária do governo Trump, que alimenta temores crescentes de recessão global.

A expectativa agora recai sobre a resposta formal da União Europeia, após a China ter iniciado a retaliação na semana passada. O setor bancário já vem sofrendo fortes perdas, o petróleo atingiu mínimas de quatro anos e a Apple (NASDAQ:AAPL) enfrenta um cenário desafiador diante de sua forte exposição à China.

No Brasil, investidores aguardam novos dados e projeções econômicas.

© Reuters

1. Futuros dos EUA aprofundam perdas

Os futuros de ações nos Estados Unidos ampliaram os recuos nesta segunda-feira, acompanhando dois dias de forte correção nos mercados à vista. Às 8 h de Brasília, os contratos do S&P 500 caíam 90 pontos (-1,77%), os do Nasdaq 100 recuavam 363 pontos (-2,09%) e os do Dow Jones perdiam 691 pontos (-1,88%).

No domingo, o presidente Donald Trump reiterou que as tarifas são o único instrumento eficaz para “curar” os déficits comerciais dos EUA com parceiros como China e União Europeia, reafirmando que as medidas vieram para ficar.

As preocupações com o impacto da guerra comercial sobre a atividade econômica global — inclusive nos Estados Unidos — ganharam força. O Goldman Sachs (NYSE:GS) elevou no domingo a probabilidade de recessão em 2025 de 35% para 45%, citando “aperto acentuado nas condições financeiras, boicotes ao consumo externo e a intensificação da incerteza política, fatores que tendem a conter ainda mais o investimento das empresas”.

O movimento nos derivativos ocorre após o Dow Jones Industrial Average registrar perdas consecutivas de mais de 1.500 pontos pela primeira vez em sua história, o S&P 500 recuar 10% em apenas dois pregões e o Nasdaq Composite entrar em mercado de baixa na sexta-feira, acumulando queda de 22% desde a máxima histórica.

Desde o anúncio das tarifas por Trump, a Apple perdeu cerca de US$ 450 bilhões em valor de mercado, com suas ações encerrando a sexta-feira abaixo de US$ 200.

Segundo o analista Daniel Ives, da Wedbush, “o Armagedom tarifário desencadeado por Trump é um desastre completo para a Apple, dada a sua exposição gigantesca à produção na China”. A estimativa é que 90% dos iPhones sejam fabricados e montados no país asiático. Com tarifas de 54% para a China e 32% para Taiwan, o impacto sobre a Apple pode ser severo, afetando tanto os custos de produção quanto a demanda.

A Wedbush revisou o preço-alvo da ação para US$ 250, ante US$ 325 anteriormente, e destacou que “nenhuma outra empresa de tecnologia dos EUA é mais prejudicada por essas tarifas que a Apple”.

A companhia havia anunciado em fevereiro um plano de investimento de US$ 500 bilhões nos EUA, mas, segundo estimativas da corretora, transferir apenas 10% da cadeia produtiva da Ásia para os EUA demandaria ao menos US$ 30 bilhões e três anos de execução, com interrupções consideráveis no processo.

2. União Europeia prepara sua resposta

Após o anúncio da China de tarifas adicionais de 34% sobre produtos norte-americanos, a expectativa agora se volta para a União Europeia, que deverá adotar medidas semelhantes ainda esta semana.

O bloco avalia a imposição de uma primeira rodada de tarifas retaliatórias sobre cerca de US$ 28 bilhões em bens importados dos EUA. Atualmente, produtos estratégicos como aço, alumínio e automóveis já enfrentam tarifas de 25%. A partir de quarta-feira, quase todas as demais exportações europeias para os EUA estarão sujeitas a uma alíquota recíproca de 20%.

O impacto econômico pode ser expressivo. Segundo o presidente do Banco da Grécia, Yannis Stournaras, as tarifas dos EUA têm potencial de reduzir o crescimento da zona do euro entre 0,5 e 1 ponto percentual. Estimativas do Banco Central Europeu indicam que uma tarifa generalizada de 25% sobre os produtos europeus enviados aos EUA poderia cortar 0,3 ponto percentual do PIB do bloco em um ano. Para Stournaras, a resposta tarifária da UE tende a agravar esse cenário, com impacto negativo de até 0,5 ponto percentual no crescimento.

Em 2024, a UE importou cerca de €334 bilhões em produtos dos EUA e exportou €532 bilhões ao mercado norte-americano.

3. Bancos europeus sob forte pressão

As ações do setor bancário europeu recuavam intensamente nesta segunda-feira, estendendo a tendência negativa observada na Ásia e em Wall Street.

As instituições financeiras estão sob pressão devido ao receio de que a guerra comercial prejudique a confiança do consumidor, reduza o consumo, contenha a demanda por crédito e comprometa receitas com assessoria em fusões e aquisições.

Commerzbank e Deutsche Bank registravam queda superior a 10% na Alemanha. Na Espanha, o Santander (BVMF:SANB11) recuava mais de 6%. Já os franceses Société Générale e Crédit Agricole também apresentavam desempenho negativo. No Reino Unido, o HSBC perdia mais de 5%, refletindo a queda de quase 15% registrada em Hong Kong mais cedo.

Nos EUA, o JPMorgan (NYSE:JPM) Chase caiu 7% na sexta-feira, enquanto Goldman Sachs e Morgan Stanley (NYSE:MS) recuaram mais de 7% cada.

4. Petróleo renova mínimas de quatro anos

O petróleo voltou a recuar nesta segunda-feira, atingindo os menores níveis desde abril de 2021, em um ambiente marcado por temores de recessão global, com impacto direto sobre a demanda.

Ambos os contratos acumularam perdas superiores a 10% na última semana, pressionados pela elevação das tarifas chinesas sobre produtos norte-americanos — sendo a China o maior importador global da commodity — e pela expectativa de medidas similares por parte da União Europeia.

O sentimento também foi afetado pela informação de que países da Opep+, grupo liderado por Rússia e Arábia Saudita, planejam acelerar os aumentos de produção. O Goldman Sachs revisou para baixo sua projeção média para o Brent em 2025, cortando-a em 5,5%, para US$ 69 o barril. O WTI deve, segundo o banco, fechar o ano com média de US$ 66 por barril.

5. Projeções e dados econômicos no Brasil

Os investidores ficarão atentos às projeções dos economistas colhidas na pesquisa semanal conduzida pelo banco central e divulgadas no relatório Focus.

O último boletim, divulgado em 31 de março, trouxe ajustes pontuais nas expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos brasileiros. A projeção de crescimento do PIB para 2025 foi levemente revisada de 1,98% para 1,97%, enquanto a estimativa para a taxa Selic no encerramento do ano permaneceu em 15%, em linha com os sinais mais recentes do Relatório de Política Monetária. No câmbio, o dólar teve sua projeção recuada de R$ 5,95 para R$ 5,92 ao fim do ano. Já a mediana das previsões para o IPCA de 2025 permaneceu em 5,65%, com estabilidade também na estimativa para 2026, fixada em 4,50%.

Atualmente, a taxa básica está projetada entre 15% e 15,5%, mas uma desaceleração mais intensa da atividade, somada à queda nos preços do petróleo, pode antecipar revisões nas projeções do mercado.

Na semana, a atenção dos mercados se volta para os indicadores de inflação ao consumidor (IPCA), dados de varejo, serviços e o IBC-Br — prévia do PIB calculada pelo banco central.

Esses dados podem influenciar a condução da política monetária, com possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária) sinalizar o fim do ciclo de alta da Selic, caso a inflação de março venha dentro das expectativas

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