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Acre conclui 1ª identificação de desaparecido que estava em estado avançado de decomposição

Por Ana Caroline Santiago, ContilNet

Em um avanço significativo na integração dos órgãos de segurança pública e identificação humana, a Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio dos Institutos de Identificação e de Medicina Legal, com suporte técnico da Força Nacional, concluiu neste mês de abril a primeira identificação papiloscópica de uma pessoa desaparecida em estado avançado de decomposição no estado. A ação integra a Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas.

A ação integra a Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas/Foto: Reprodução

O trabalho faz parte dos esforços coordenados pela Rede Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas (RNIPD), da qual o Acre passou a integrar, seguindo os protocolos da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela Lei nº 13.812/2019, e da Lei nº 9.140/95, que regulamenta a busca e identificação de restos mortais.

O caso foi registrado na zona rural do distrito de Vila Campina, onde um corpo em avançado estado de decomposição foi encontrado. Apesar das dificuldades impostas pelas condições do cadáver, a equipe técnica do Instituto de Identificação, especializada em necropapiloscopia, conseguiu coletar impressões digitais. As amostras foram inseridas no sistema ABIS Estadual, permitindo o confronto papiloscópico com o banco de dados do Instituto.

Após criteriosa análise, foi possível confirmar a identidade do cidadão Manoel Alves de Souza, nascido em 24 de março de 1965, natural de Jaguapitã (PR), filho de Ananias Alves de Souza e Izabel. A atuação ressalta a importância da ciência papiloscópica como ferramenta essencial para garantir a dignidade das famílias, proporcionando o direito ao luto e encerrando ciclos de incerteza e sofrimento.

O Instituto de Identificação do Acre vem registrando resultados expressivos. De janeiro a março de 2025, foram realizadas 36 identificações positivas de cadáveres e dois casos negativos em janeiro, além de um atendimento a uma pessoa viva. Em fevereiro, 38 cadáveres foram identificados — número que inclui reconhecimentos diretos feitos por famílias e delegacias nas regiões de Envira, Tarauacá e Juruá — além de dois atendimentos de pessoas vivas. Já em março, foram confirmadas 45 identificações em todo o estado, sem registros de identificação de pessoas vivas naquele mês.

Esses números demonstram o empenho contínuo da instituição em oferecer respostas rápidas e técnicas à sociedade, garantindo cidadania, dignidade e justiça às famílias que enfrentam a perda de entes queridos.

“Essa conquista demonstra o compromisso do Estado com a dignidade humana e a aplicação da ciência forense a serviço da justiça e da cidadania. O Acre, agora inserido na rede nacional, reafirma seu papel ativo no enfrentamento do desaparecimento de pessoas”, destacou o diretor do Instituto de Identificação, Júnior César da Silva.

Com este marco, o Estado do Acre se consolida como membro efetivo da Rede Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas, reforçando políticas públicas de segurança e cidadania em todo o país.

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