Em entrevista ao podcast Em Cena, do ContilNet nesta segunda-feira (31), o promotor de Justiça Thales Ferreira, titular da Promotoria de Direitos Humanos e Cidadania, repercutiu sobre o caso Yara Paulino, de 28 anos, que foi brutalmente espancada até a morte, no dia 24 de março, após boatos de que teria matado a própria filha, no conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.
O promotor deu novos detalhes sobre o caso. De acordo com ele, ao saber da morte de Yara, a irmã da vítima foi até o local do crime, mas foi impedida de fazer o reconhecimento do suposto corpo da sobrinha, que segundo boatos, teria sido encontrada em um saco de ração. Mais tarde, no mesmo dia, ao ser levado para o Instituto Médico Legal (IML), a perícia apontou que a ossada encontrada na verdade se tratava de restos de um cachorro.
A mãe da criança foi assassinada em praça pública, após boatos de ter matado a própria filha/ Foto: Reprodução
Thales destacou a gravidade do justiçamento realizado com Yara, que teria sido presenciado por populares, incluindo, crianças.
“Não só as crianças presenciaram o caso, a população de Rio Branco presenciou. Eu vi enxurradas de comentários de que ela fez por merecer, pois tinha matado uma criança. No momento em que a irmã dela chegou ao local, foi impedida de reconhecer o corpo da bebezinha. Viemos a saber que se tratava de uma ossada animal, já chegava quase que ao anoitecer. Nisso, Yara foi massacrada nas redes sociais”, disse.
Thales destacou a gravidade do justiçamento realizado com Yara, que teria sido presenciado por populares/ Foto: ContilNet
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O promotor afirmou que o Ministério Público do Acre está acompanhando de perto as investigações sobre o caso.
“O Ministério Público está muito atento a esse caso, porque entende que foi uma violação muito grande de direitos humanos. Extrapolou todos os limites possíveis e inimagináveis. Foi um caso à luz do dia, um caso repercutido pela imprensa acreana, com várias mentiras que foram contadas, objetificação do corpo de uma mulher que estava jogada na rua. Justiçamento na rede social, porque era uma mulher. O fato dela ser uma usuária abusiva de drogas foi levado em consideração nos comentários, então tudo isso levou a atuação do Ministério Público”, ressaltou.
A filha de Yara, de apenas 4 meses, segue desaparecida, e as autoridades do Estado têm intensificado as buscas pela criança. A Polícia Civil do Acre tem conduzido operações em locais de difícil acesso, contando com o apoio do helicóptero da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-AC).
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As buscas também abrangem bairros da capital, regiões do interior, ramais e comunidades isoladas. Além disso, familiares do pai e da mãe da criança foram ouvidos para colaborar com a investigação. Contudo, detalhes específicos sobre os locais de busca não foram divulgados para não comprometer as apurações.
