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Padre relembra encontro com Francisco e cita curiosidade do pontífice sobre bairro de Rio Branco

Por Tião Maia, ContilNet

O padre italiano Mássimo Lombardi, que vive no Acre há mais de 50 anos e é o principal evangelizador da Igreja Católica no bairro Cidade do povo, em Rio Branco, no Acre, lembrou, nesta segunda-feira (21), seus contatos e encontro com o Papa Francisco, no Vaticano. Em 2017. De acordo com o religioso, tudo aconteceu quando ele enviou, a partir de Rio Branco, uma carta ao papa no Estado do Vaticano, em Roma.

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Padre italiano que evangeliza a 50 anos no Acre lembra de seu encontro com o papa Francisco no Vaticano, em 2017. Foto: Reprodução

Mássimo foi recebido pelo pontífice na Casa Santa Marta, residência onde o papa morava, logo após uma missa o qual foi convidado a participar. “Enviei uma cartinha para ele e o secretário dele me respondeu por telefone”, revelou Massimo Lombardi.

“Marcamos o encontro e fui ao Vaticano. Ele perguntou sobre o meu trabalho no Acre e eu já estava trabalhando na Cidade do Povo. Ele quis saber como era a vida das famílias neste novo conjunto habitacional e depois me lembrou do próximo sínodo sobre a Amazônia que ele já estava preparando com a equipe dele. Então, ele desejou que este encontro, este sínodo sobre a Amazônia, tivesse bom êxito para o futuro mesmo da favela”, contou o padre à rádio CBN Amazônia Rio Branco, nesta manhã.

“Realmente eu senti uma sintonia extremamente grande com o papa Francisco e eu não posso me esquecer daquele momento histórico na minha vida”, acrescentou Máximo Lombardi.

Sobre o abraço dado em Francisco, o padre rememorou que ocorreu de forma espontânea.

“Geralmente as outras pessoas que se aproximavam dele, que beijava a mão dele, ele não queria que beijasse a mão dele, outros apertavam a mão dele, mas eu tive um impulso espontâneo de abraçá-lo, sabe, porque ele me abraçou”, disse, emocionado.
Como legado de Francisco, o padre Mássimo contou que os ideais do papa são ideais de Jesus e que foram, inclusive, vivenciados por São Francisco de Assis, santo que inspirou o nome do pontífice.

“A simplicidade com que eu consegui me apresentar a ele, eu só escrevi uma cartinha ao Papa Francisco […] foi realmente uma alegria e uma emoção extremamente grande. Eu percebi realmente que a simpatia com ele era grande demais. A maneira com que ele se comunicava com as pessoas, era de uma extrema humildade. Inclusive, a gente sabe que ele sempre esteve ao lado do povo — ele dizia: ‘sinta o cheiro do povo, vocês que são sacerdotes e evangelizadores'”, complementou.

Com a morte do papa, na madrugada desta segunda-feira (21), o Vaticano e a Igreja Católica já observam o crescimento das apostas sobre quem poderá ser o próximo líder da Santa Sé. Entre os favoritos, figuram nomes de diferentes partes do mundo.

O processo para a eleição do novo Papa: a escolha do novo líder da Igreja ocorre por meio de um conclave, no qual apenas cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto. O processo, no entanto, é secreto e pode exigir várias rodadas de votação até que um candidato obtenha dois terços dos votos.

Francisco, por exemplo, foi escolhido em março de 2013 por 116 dos 120 cardeais após a renúncia de Bento XVI no mês anterior. Com a morte do pontífice, a Igreja tem de 15 a 20 dias para organizar o conclave — termo que vem do latim cum clavis, que significa “com chave”, referindo-se ao isolamento dos cardeais durante a escolha do novo papa.

Os principais candidatos ao papado vêm de diferentes continentes. Entre os mais cotados está o italiano Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana. Próximo a Francisco, Zuppi tem se destacado como enviado papal em negociações de paz.

Outro nome forte é o filipino Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila. Popular e considerado um continuador das reformas de Francisco, ele é visto como uma opção para fortalecer a presença da Igreja na Ásia.

O cardeal ganês Peter Turkson também aparece entre os favoritos. Com uma longa trajetória na Cúria Romana e defensor de pautas ligadas à justiça social, ele poderia se tornar o primeiro papa negro da história. Já o húngaro Péter Erdő, membro do Conselho para a Economia da Santa Sé, é outro nome cogitado, embora sua candidatura dependa do cenário político dentro do conclave.

A eleição de Francisco marcou a forte influência da América Latina na Igreja, tornando-o o primeiro papa da região. Embora o cenário atual seja menos favorável para brasileiros, alguns nomes são citados como possíveis candidatos. No conclve, o Brasil tem sete arcebispos como eleitores do movo papado. Três deles poderiam ser candidatos a novo Papa.

Com a recente nomeação de novos cardeais, incluindo Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, o Brasil conta com eleitores no conclave. Além de Spengler, Dom Leonardo Steiner e Dom Paulo Cezar Costa também têm direito a voto e podem estar entre as opções para o papado.

Eles podem ter alguma vantagem porque Francisco moldou o Colégio de Cardeais ao longo de seu pontificado, nomeando cerca de 80% dos eleitores que participarão do conclave. É um que fator pode influenciar a escolha do próximo papa.

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