Em uma coletiva convocada às pressas nesta segunda-feira (21), o bispo Dom Joaquín comentou com pesar sobre a morte do Papa Francisco, ocorrida nas primeiras horas da manhã na Europa, por volta das 7h30 no horário local — 1h30 da madrugada no Brasil. A notícia abalou católicos em todo o mundo e causou comoção entre fiéis, líderes religiosos e autoridades políticas.
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“Todo mundo está comovido, aflito. A Igreja Católica perdeu seu líder principal”, afirmou Dom Joaquín. O bispo destacou que a morte do pontífice pegou a todos de surpresa, especialmente porque nos últimos dias ele havia sido visto cumprimentando fiéis na Praça de São Pedro, em Roma, demonstrando aparente melhora em seu estado de saúde.
“Todo mundo está comovido, aflito. A Igreja Católica perdeu seu líder principal”, afirmou Dom Joaquín. / Foto: Cedida
Durante a coletiva, Dom Joaquín relembrou a trajetória de Francisco como Papa e o definiu como um líder global comprometido com os mais vulneráveis. “Foi um grande defensor dos pobres, dos migrantes, dos necessitados”, disse. Ele também destacou o papel do pontífice nas causas ambientais e sociais, mencionando encíclicas como Laudato Si’, sobre o cuidado com a “casa comum”, e Fratelli Tutti, que trata da fraternidade entre os povos.
Francisco, segundo o bispo, também foi um firme opositor das guerras e do desarmamento, tendo dialogado com chefes de Estado em busca da paz. “Ele elencava os conflitos ativos no mundo e sempre se posicionava pela paz, tentando mediar conversas entre nações e líderes”, pontuou.
Dom Joaquín ainda lembrou o início do pontificado, marcado por um gesto simbólico que demonstrou sua sensibilidade às causas humanitárias. “Ele começou indo até Lampedusa, onde desembarcavam migrantes africanos. Ali, denunciou a indiferença diante das mortes no Mediterrâneo, que se tornou um verdadeiro cemitério de migrantes.”
“Grandes inimigos”
O bispo da Diocese de Rio Branco disse ainda que Francisco levantou grandes inimigos.
“Levantou também grandes inimigos, que não aceitam a paz, que não acolhem os imigrantes. Teve essas contradições ao longo de sua vida e o ser humano é isso, sempre nessa luta do bem contra o mal. Conseguiu sempre manter sua linha, uma coerência, com sua consciência em Deus”, salientou.
Ao final da coletiva, o bispo expressou o sentimento de luto que domina a comunidade católica. “Sentimos esse vazio material e espiritual. Perdemos o grande Papa da nossa Igreja, mas temos fé de que Deus já o recompensou pelo seu trabalho, por seus gestos, por sua luta em favor dos mais pobres, da paz e da dignidade humana. Que sua memória permaneça viva entre nós.”
