Do universo de 73.300 pessoas desapareceram no Brasil, uma média de 219 por dia, só no ano de 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Acre, que tem menos de 1 milhão de habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), participa com pelo menos 328 que sumiram no Estado, sem deixar rastros. As pessoas somem como se a terra se abrisse e as engolisse, causando dores para as famílias e muita preocupação para os organismos de segurança pública.
Delegados Nilton Boscaro (PCAC) e Felipe Peres Fachineli (DPF) confirnmam parceria e compromisso institucional para proteção dos cidadãos para evitar desaparecimentos. Foto: PCAC
As 328 pessoas desapareceram no Acre em 224 sumiram no período de janeiro a novem, tanto na Capital Rio Branco como no interior. Em 2023, o número de desparecidos chegou a 400 pessoas, segundo os mesmos dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. De 2022 a 2023, o Acre registrou um total de 771 pessoas desaparecidas, que vêm se soma às 328 de 2024. No total 1099 acreanos desaparecidos misteriosamente.
Em buscas de explicações para os mistérios dos desaparecimentos e em busca das pessoas que sumiram, as direções das polícias Judiciária no Acre, a Civil e Federal, se reuniram, na última sexta-feira (4), em busca de uma força-tarefa que possa enfrentar os desafios impostos, pela realidade dos desparecimentos, a qual, em se ratando do Acre, tem uma preocupação a mais por se tratar de uma área de fronteira entre dois países, Peru e Bolívia, por onde as pessoas podem passar com facilidade, por vontade própria ou como vítimas do tráfico humano.
Na reunião de sexta-feira, o encontro, que contou com o delegado de polícia civil Nilton César Boscaro, representando a direção da Polícia Civil do Acre (PCAC), e com o delegado da Polícia Federal (PF), Felipe Peres Fachineli, marcou o início de uma colaboração estratégica entre as duas forças para intensificar as ações voltadas à localização de pessoas desaparecidas. A iniciativa representou um avanço significativo na integração entre as Polícias Judiciárias, especialmente em um estado que faz fronteira com dois países (Bolívia e Peru) e se tornou rota de trânsito internacional.
Com o apoio da Polícia Federal, a Polícia Civil do Acre (PCAC) passa a contar com recursos essenciais como o cruzamento de dados transnacionais, a verificação de possíveis travessias de fronteiras e a inclusão de registros na difusão amarela da Interpol, ferramenta que amplia as chances de localização em âmbito internacional. No âmbito estadual, o trabalho é coordenado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil, que oferta assessoramento aos delegados de Polícia Civil e suas equipes nas investigações.
A atuação desse setor foi fundamental para os resultados expressivos alcançados nos últimos anos. Em 2023, a PCAC conseguiu localizar 215 pessoas desaparecidas. Em 2024, esse número já subiu para 288, reforçando a eficácia das estratégias adotadas.
“Esse trabalho realizado de maneira conjunta entre as Polícias Judiciárias do estado do Acre (Polícia Civil) e do Brasil (Polícia Federal) representa um importante passo no trabalho de localização de pessoas desaparecidas, já que o estado possui fronteira com dois países e é rota de deslocamento de pessoas para outros países”, destacou o Diretor do Departamento de Inteligência, Nilton Boscaro.
Para o delegado da Polícia Federal, Felipe Peres Fachineli, a integração com a Polícia Civil do Acre tem se mostrado um elemento essencial para enfrentar o desafio dos casos de pessoas desaparecidas, um problema que afeta milhares de famílias anualmente.
“Essa interface é fundamental para otimizar recursos, unificar informações e agilizar a resolução de casos. Um dos pilares dessa integração é o compartilhamento de bancos de dados, pois essa troca de informações permite uma visão mais ampla e detalhada, essencial para localizar desaparecidos, especialmente em situações que cruzam fronteiras estaduais ou nacionais”, destacou.
