O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 revelou que os roubos e furtos de celulares se tornaram porta de entrada para o crime organizado no ambiente digital, além de impulsionarem o sentimento de medo e insegurança na população. Para conter essa realidade, o Governo Federal iniciou uma nova fase do Programa Celular Seguro, que agora envia mensagens automáticas por WhatsApp a celulares cadastrados como roubados, furtados ou perdidos sempre que um novo chip for inserido no aparelho.
A iniciativa tem como foco principal desarticular redes de receptação e revenda ilegal, que movimentam um comércio paralelo lucrativo e alimentam outros tipos de crimes. “O foco está em quem lucra com o crime, não no cidadão comum que comprou sem saber. O objetivo é restituir o aparelho à vítima e enfraquecer o mercado criminoso que financia outras atividades ilegais”, explicou o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto.
Além da comunicação via WhatsApp pelos números oficiais do MJSP — (61) 2025-3000 e (61) 2025-3003 —, a pessoa que estiver com o aparelho será orientada a acessar o site www.gov.br/celularseguro, comparecer a uma delegacia com a nota fiscal ou documento comprobatório de propriedade e, caso não consiga comprovar a origem, deverá devolver o celular.
Consulta antes da compra é essencial
Consumidores que desejam adquirir celulares usados devem, obrigatoriamente, verificar a situação do aparelho antes da compra. A checagem pode ser feita gratuitamente por meio do aplicativo Celular Seguro (opção “Celulares com Restrição”), pelo site celularseguro.mj.gov.br ou ainda pela plataforma da Anatel (gov.br/anatel), informando o número do IMEI (acessado pelo comando *#06# no celular).
Entre as orientações para evitar cair em esquemas de receptação, estão: preferir lojas ou vendedores com boa reputação, exigir nota fiscal e cadastrar o aparelho no modo de recuperação logo após qualquer ocorrência de roubo ou furto.
Números em queda no país — e no Acre
Em âmbito nacional, os dados do Anuário indicam uma redução de 10,1% nos furtos de celulares em 2023, com 442,9 mil registros contra 492,9 mil em 2022. A queda foi observada em 21 das 27 unidades da Federação. Os roubos de celulares se mantiveram estáveis: 494 mil registros em 2023, frente a 490 mil no ano anterior, embora 12 estados tenham apontado queda nesse tipo de crime.
O Acre teve um dos melhores desempenhos do país. O número de roubos caiu 50,9%, passando de 356,4 ocorrências por 100 mil habitantes em 2022 para 174,9 em 2023. Já os furtos diminuíram 9,2%, com 189,4 registros por 100 mil habitantes em 2023, ante 208,5 em 2022.
Mesmo com a queda, a capital acreana, Rio Branco, ainda aparece na 37ª posição entre as 50 cidades brasileiras com maiores taxas de roubo e furto de celular, com 892 ocorrências por 100 mil habitantes.
Um problema global
O roubo e furto de celulares não é um desafio exclusivo do Brasil. Segundo o Anuário, nos Estados Unidos, 60% dos roubos em São Francisco envolviam celulares em 2023, e em Oakland, esse número subia para 75%. No Reino Unido, o crescimento foi de 20% no último ano, com 52 mil aparelhos subtraídos só em Londres. Segundo o Financial Times, desde 2022, os furtos e roubos de celulares superaram os casos de roubo de cartões de crédito e dinheiro.
Redes internacionais de crime
Um relatório da Interpol destaca que, em 2014, redes transnacionais de roubo e receptação de celulares movimentavam até US$ 500 mil por dia na América Latina, envolvendo países como Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Chile, Equador e México. Os celulares roubados são frequentemente usados para fraudes bancárias e golpes, sendo, em sua maioria, revendidos em países da África, onde os bloqueios das operadoras brasileiras não funcionam — como Angola, Nigéria e Guiné-Bissau.
Com a ampliação do Celular Seguro, o Governo Federal busca reduzir os danos causados por esse tipo de crime e restaurar a segurança dos cidadãos, mirando nos verdadeiros responsáveis pelo esquema: as engrenagens do crime organizado.

