Recusa de deputado em assumir Ministério das Comunicações abre crise entre o Governo e o União Brasil

Além da irritação de ministros do entorno de Lula, outros partidos da base de apoio ao governo petista também passaram a reivindicar o cargo

Está aberta uma crise entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos partidos que o apoiam em parte no Congresso Nacional, sigla que se divide em relação a ser da base de apoio ou oposição ao governo do petista. A crise é decorrente da recusa do deputado federal Pedro Lucas (UB-MA) em assumir o Ministério das Comunicações, em substituição ao deputado Juscelino Filho (UB-MA), demitido na semana passada por suspeitas de corrupção. Lucas, como líder do partido, chegou a ser anunciado como ministro substituto do exonerado, mas anunciou, na terça-feira (22), ter recusado o convite, deixando os ministros palacianos do entorno de Lula muito irritados.

Pedro Lucas Fernandes, líder do União Brasil na Câmara dos Deputados/Foto: Reprodução

O cargo de Ministro das Comunicações está vago desde 9 de abril, quando Juscelino Filho foi retirado da Esplanada dos Ministérios e devolvido a seu mandato na Câmara dos Deputados. Pedro Lucas é líder do União Brasil na Câmara dos Deputados e reuniu a bancada na tarde de ontem para discutir a questão. O nome do deputado para o posto havia sido anunciado pela ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais.

Após a reunião, o parlamentar divulgou uma nota oficial pedindo desculpas a Lula e se explicando. “Com espírito de responsabilidade e profundo respeito pela democracia brasileira, venho a público agradecer ao presidente Lula pelo honroso convite. A confiança depositada em meu nome me tocou de maneira especial e jamais será esquecida”, escreveu Pedro Lucas.

Ele disse ainda ter “plena convicção de que, neste momento”, pode contribuir mais com o país e com o próprio governo na função que exerce na Câmara dos Deputados. “A liderança me permite dialogar com diferentes forças políticas, construir consensos e auxiliar na formação de maiorias em pautas importantes para o desenvolvimento do Brasil”, acrescentou na nota.

“Seguirei lutando pelo bem-estar de todos os brasileiros, especialmente daqueles que mais precisam. Continuarei atuando com firmeza no Parlamento, buscando consensos, defendendo a boa política e acreditando que o respeito às diferenças é o que fortalece nossa democracia”, concluiu o parlamentar, que não quis virar ministro.

A crise entre governo e União Brasil segue em crescente porque, além da irritação dos ministros do entorno de Lula com o vexame dado pelo deputado Pedro Lucas, outros partidos aliados do presidente e o chamado Centrão voltaram seus olhos para o ministério e também passaram a reivindicar o cargo. O problema só será resolvido na semana que vem, quando Lula retornar da Itália, onde deve comparecer às exéquias do Papa Francisco, a ser sepultado em Roma, no próximo sábado (26).

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