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Saiba os motivos de hoje ser um dia apontado pelo cristianismo como a grande Sexta-feira Santa

Por Tião Maia, ContilNet

Esta sexta-feira (18), apontada como a Sexta-Feira Santa, segundo a tradição da Igreja Católica, é a maior data reverenciada no mundo ocidental como parte do tríduo pascal, celebração católica que retoma a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A data varia a cada ano porque tem como referência o período da Festa de Pessach, a Páscoa Judaica, citada nos evangelhos cristãos.

Especialistas e estudiosos do catolicismo apontam que os escritos cristãos relatam que, para os judeus, a festividade ocorria no sábado e domingo de lua cheia após o início da primavera no hemisfério norte (outono no hemisfério sul).

A Sexta-Feira Santa retoma exatamente os últimos passos de Jesus até a sua morte/ Imagem: Ilustrativa

Quando Jesus foi sentenciado à morte, eles precisaram antecipar o momento da crucificação dele — que foi o castigo imposto na época — para que não atrapalhasse as festividades dos judeus. Então, acabou sendo numa sexta-feira, apontam os textos tradicionais.

Na celebração judaica, a data em que Jesus Cristo foi morto coincidiu com os preparativos da Festa de Pessach. Tradicionalmente, um cordeiro é morto em sacrifício para a proteção das moradias sujeitas à décima praga no Egito, que previa a descida do anjo da morte, quando todos os primogênitos seriam mortos em razão da escravização do povo judeu.

A interpretação teológica desse evento é fundamentada nos evangelhos, principalmente o Evangelho de João e também nas Cartas de São Paulo, quando ele vai falar que Cristo era a verdadeira Páscoa e que foi imolado (morto em sacrifício). A ruptura histórica e cultural promovida pelo sofrimento de Jesus Cristo, posto em sacrifício, impulsionou a criação de uma nova religião: o cristianismo.

A missa celebrada na data também reserva um momento de adoração da cruz para destacar o sacrifício de Jesus Cristo para redimir o mundo dos pecados/ Imagem: Ilustrativa

“Um homem de carne e osso, que acaba sendo morto e, pela espiritualidade, se compreende que ele veio para cumprir as escrituras. Então, ele vai demonstrar que não existe mais só a necessidade de se sair da escravidão para a liberdade, mas que havia a necessidade desse povo sair do contexto de pecado para um contexto de amor”, reforça a Teologia.

A Sexta-Feira Santa retoma exatamente os últimos passos de Jesus até a sua morte, no dia em que foi sentenciado e penitenciado a carregar a cruz na qual viria a ser pregado até perder a vida. Para católicos, na liturgia da Sexta-Feira Santa não acontece o momento da eucaristia, que é uma ação que dá graças à presença de Jesus Cristo. Dentro dessa dinâmica do simbolismo, a ausência da celebração eucarística está ligada a um caráter de luto. Os católicos entram em luto na quinta-feira à noite.

A missa celebrada na data também reserva um momento de adoração da cruz para destacar o sacrifício de Jesus Cristo para redimir o mundo dos pecados. No Brasil, por uma tradição latina, a liturgia atinge momentos passionais. Muita gente beija a cruz, se ajoelha diante dela, ao contrário do que acontece em outras culturas. Na Europa, por exemplo, as pessoas se aproximam da cruz e fazem uma reverência com a cabeça. Em alguns lugares, fazem uma genuflexão, dobrando os joelhos, mas não há esse ritual de tocar e beijar.

Também é na Sexta-Feira Santa que tradicionalmente algumas cidades encenam a Via Sacra, para relembrar a trajetória de Jesus até a morte e o significado da Paixão de Cristo, que se pôs em sacrifício pela humanidade.

No Brasil, desde a chegada dos portugueses, o cristianismo foi adotado como religião oficial do Império e a tradição foi mantida após a Independência em relação a Portugal. Como um país com grande população cristã, a Sexta-Feira Santa é considerada um feriado religioso pela Lei 9.093/1995 — apesar de o Brasil ser um Estado laico —, mas que acabou sendo convencionado que se manteria esse calendário como feriado, porque faz parte da cultura do povo, da tradição e dos costumes. Além das religiões cristãs, muitas outras celebram a Páscoa com liturgias que trazem um simbolismo próprio.

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