Na manhã desta terça-feira (15), a sala de Comissões da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) foi palco de um debate delicado: a dispensa de cerca de 200 profissionais da saúde contratados de forma emergencial durante a pandemia. Com o fim dos contratos previsto para este mês de abril, os trabalhadores serão substituídos por concursados recém-nomeados.
O encontro foi liderado pelo deputado Adailton Cruz (PSB), que destacou a importância de uma transição responsável. Para ele, é preciso garantir que a entrada dos novos servidores não comprometa a qualidade dos serviços oferecidos pela rede estadual de saúde.

Com o fim dos contratos previsto para este mês de abril, os trabalhadores serão substituídos por concursados recém-nomeados / Foto: Sérgio Vale
O apelo mais comovente veio da enfermeira Lúcia, desligada no dia anterior. Em tom emocionado, ela relatou sua trajetória de cinco anos na maternidade, onde atuava no setor de regulação. “Perdi meu pai na pandemia, desenvolvi síndrome do pânico, me tratei e continuei trabalhando. Agora, me tiram o sustento. Tenho uma filha, e não sei como vai ser daqui pra frente. Só queremos ser ouvidos”, disse.
Também presente na reunião, o servidor Lourenço, do Pronto-Socorro de Rio Branco, expressou preocupação com a substituição de profissionais experientes por recém-formados. “Eles ainda não estão prontos para encarar as rotinas de setores críticos como UTI, trauma e emergência pediátrica. A troca está deixando lacunas graves”, alertou.
Representando a categoria, a presidente do Sindicato dos Profissionais e Auxiliares de Enfermagem e Enfermeiros do Acre (Spate), Alesta Costa, cobrou um prazo maior para a transição e questionou a falta de preparo dos novos servidores. “Eles têm formação, mas ainda não têm prática. Cuidar de vidas exige mais do que diploma. É preciso vivência, e isso se constrói no tempo, como fizeram esses trabalhadores durante a pandemia”, afirmou.
Ao final da reunião, ficou evidente o apelo coletivo por uma solução mais equilibrada. Parlamentares, sindicalistas e servidores defendem que o desligamento dos contratados seja feito de forma gradual, com atenção à realidade dos serviços e respeito à contribuição de quem enfrentou os momentos mais críticos da saúde pública no estado.
