Recém-criada, a unificação dos partidos Progressistas e União Brasil, que agora passa a se chamar União Progressistas e cuja formalização foi anunciada em Brasília na última terça-feira (29), já procura meios de desembarcar do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Juntos, o Progressistas e o UB detêm ainda quatro ministérios no governo, cujo presidente deverá ser candidato à reeleição sob forte oposição do novo partido, o que seria também uma contradição insanável.
A avaliação e o anúncio de desembarque da nova sigla do governo foram feitos na manhã desta quarta-feira (30), em Brasília, pelo vice-presidente do partido, o ex-prefeito de Salvador (BA), Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto. Ele afirmou haver, dentro da nova sigla da política brasileira, “um sentimento crescente” de integrantes deixarem a base governista e que a entrega de ministérios deve ser discutida em breve.
Segundo o ex-prefeito de Salvador, o objetivo é construir uma candidatura do centro à direita em 2026/Foto: Reprodução
“Nos próximos meses, ainda em 2025, nós vamos abrir essa discussão. Há um sentimento crescente de deputados e senadores dos dois partidos de que se possa desvincular inteiramente a federação da participação no governo. E eu, particularmente, vou trabalhar nessa direção”, disse ACM Neto em entrevista à GloboNews.
A criação da União Progressistas terá o título de maior bancada da Câmara, com 109 parlamentares. Atualmente, a liderança é do PL, que conta com 92 deputados. No Senado, a nova aliança colocará a federação em pé de igualdade com PL e PSD, cada um com 12 senadores. Além disso, os dois partidos, agora juntos, têm o maior número de prefeituras no Brasil, com 1.336 prefeitos, e seis governadores, incluindo Gladson Cameli, do Acre.
Segundo o ex-prefeito de Salvador, o objetivo é construir uma candidatura do centro à direita em 2026. Ele afirmou que isso vem sendo discutido com o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), e que os dois partidos devem articular um candidato próprio para disputar a Presidência da República no ano que vem.
“A gente não está criando hoje uma federação pra ficar barganhando cargo, puxando mais um espaçozinho no governo, não. A gente está criando uma federação pra que ela seja a ponta de lança [e] a base fundamental da construção de um projeto vitorioso em 2026”, disse.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União-GO), já se lançou como pré-candidato às eleições de 2026 e vem percorrendo o país. Ele teria recebido a promessa de apoio da federação caso atinja pelo menos 10% de intenção de voto nas pesquisas em março de 2026.

