Apocalipse 13 e Papa Americano geram teorias sobre o fim dos tempos

Livro do Apocalipse faz parte do Novo Testamento e foi escrito por João no século 1

Por G1 09/05/2025

ApĂłs o anĂșncio nesta quinta-feira (8) do nome do americano Robert Francis Prevost como o novo papa, começaram a pipocar nas redes sociais mençÔes ao Apocalipse 13, Ășltimo livro da BĂ­blia, conhecido como o “livro da revelação”.

Papa Leao XIV

Papa LeĂŁo XIV acena ao pĂșblico em sua primeira aparição no Vaticano — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Afinal, o que Ă© o Apocalipse 13?

O capítulo 13 do Apocalipse faz parte do Novo Testamento e foi escrito por João no século 1. Ele menciona duas bestas: uma que emerge do mar e outra que emerge da terra.

📜“ E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pĂ©s como os de urso, e a sua boca como a boca de leĂŁo; e o dragĂŁo deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio”.

É neste livro que Ă© citado o nĂșmero 666, conhecido como “o nĂșmero da besta”: “Aquele que tem entendimento, calcule o nĂșmero da besta; porque Ă© o nĂșmero de um homem, e o seu nĂșmero Ă© 666”.

Kenner Terra, pastor, doutor em ciĂȘncias da religiĂŁo pela Universidade Metodista de SĂŁo Paulo, professor na Faculdade Instituto Rio de Janeiro (Fiurj) e autor de “O Apocalipse de JoĂŁo: caos, cosmos e o contradiscurso apocalĂ­ptico”, explica por que o texto ficou conhecido como fonte para o conceito do “anticristo”.

“É porque no capĂ­tulo 13 fala de uma figura que sai do mar com caracterĂ­sticas de poder polĂ­tico e com uma relação com outra figura, que sai da terra, que tem poder religioso, que Ă© o falso profeta”.

E o que isso tem a ver com os Estados Unidos e com o papa?

Desde a Reforma Protestante, em alguns momentos da histĂłria, o papa Ă© tratado como o “anticristo” ou como o falso profeta, explica Kenner. AlĂ©m disso, hĂĄ uma interpretação de que a besta que sai do mar Ă© um lĂ­der polĂ­tico que dominarĂĄ o mundo durante um perĂ­odo.

“Os Estados Unidos entram nessa equação nas narrativas triunfalistas de filmes e obras como ‘Deixados Para TrĂĄs’”. Este Ă© um livro que virou filme e conta a histĂłria de um grupo de pessoas tentando sobreviver ao fim do mundo.

đŸ€Ż Na visĂŁo conspiracionista, quando essas duas figuras se unem, acontece o fim dos tempos.

🩁 Nas redes sociais, os conspiracionistas tambĂ©m fazem referĂȘncia ao trecho que diz que a besta tem “boca de leĂŁo”. Prevost escolheu o nome de LeĂŁo XIV. E ele sucede LeĂŁo 13, nĂșmero do capĂ­tulo do apocalipse.

“Toda teoria da conspiração conecta numa narrativa de forma aparentemente Ăłbvia uma imagem completamente sem sentido. É assim que as teorias da conspiração funcionam. EntĂŁo, pega, o nome LeĂŁo, o nĂșmero 13, o papa, e aĂ­ começam as invencionices, que para mim sĂŁo muito perversas, perigosas e alienadoras”.

E o que o trecho quer dizer na verdade?

Kenner Terra explica que, na verdade, o texto de JoĂŁo sobre as bestas Ă© uma crĂ­tica contra o imperador romano Nero Cesar.

“No Apocalipse 13, o visionário que chama-se João faz uma crítica a um imperador romano. Como ele faz essa crítica? Ele vai usar as imagens do seu tempo. E tem um livro chamado Daniel, do Antigo Testamento. E o livro de Daniel, em um determinado momento, ele fala de quatro monstros. Quatro feras. Leopardo, leão, águia, urso, entende?”

Kenner explica que, assim, JoĂŁo usou as mesmas alegorias de Daniel para fazer uma crĂ­tica a uma figura horrenda.

Conhecido como o “livro da revelação”, o Apocalipse tambĂ©m jĂĄ foi usado ao longo da histĂłria para tentar explicar desastres que vĂŁo da peste ao aquecimento global, passando pelo acidente nuclear de Chernobyl.

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