O Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (7/5), elevar a taxa básica da economia (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 14,75% ao ano, reduzindo o ritmo do ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024. O resultado era esperado pelo mercado e marca a 6ÂŞ alta consecutiva da Selic na terceira reuniĂŁo do ano do ComitĂŞ de PolĂtica Monetária (Copom). Com isso, os juros básicos atingem o maior patamar desde a decisĂŁo do ComitĂŞ, vigorada entre 20 de julho de 2006 e 30 de agosto de 2006, no Ăşltimo ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão foi unânime e, no comunicado, o Copom deixou em aberto se o ciclo de aperto monetário vai terminar na próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de junho, tanto que evitou deixar qualquer sinalização futura, mas reforçou a necessidade de cautela.
“O cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da polĂtica monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, afirmou o documento.
No comunicado, o BC reduziu as projeções para a inflação deste ano e de 2026, mas continuam acima centro da meta, de 3%, com teto de 4,50%. A estimativa da autoridade monetária para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,1% para 4,8%, em 2025; e de 3,9% para 3,6%, no ano que vem.
A seguir, a Ăntegra do comunicado do Copom:
O ambiente externo mostra-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da polĂtica econĂ´mica nos Estados Unidos, principalmente acerca de sua polĂtica comercial e de seus efeitos. A polĂtica comercial alimenta incertezas sobre a economia global, notadamente acerca da m​agnitude da desaceleração econĂ´mica e sobre o efeito heterogĂŞneo no cenário inflacionário entre os paĂses, com repercussões relevantes sobre a condução da polĂtica monetária. AlĂ©m disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos tambĂ©m tĂŞm sido afetados, com fortes reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário segue exigindo cautela por parte de paĂses emergentes em ambiente de maior tensĂŁo geopolĂtica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda tem apresentado dinamismo, mas observa-se uma incipiente moderação no crescimento. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,5% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o ano de 2026, atual horizonte relevante de polĂtica monetária, situa-se em 3,6% no cenário de referĂŞncia (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, estĂŁo mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por perĂodo mais prolongado; (ii) uma maior resiliĂŞncia na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de polĂticas econĂ´micas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econĂ´mica domĂ©stica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comĂ©rcio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
A conjuntura externa, em particular os desenvolvimentos da polĂtica comercial norte-americana, e a conjuntura domĂ©stica, em particular a polĂtica fiscal, tĂŞm impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes. O ComitĂŞ segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da polĂtica fiscal impactam a polĂtica monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliĂŞncia na atividade econĂ´mica e pressões no mercado de trabalho. Tal cenário prescreve uma polĂtica monetária em patamar significativamente contracionista por perĂodo prolongado para assegurar a convergĂŞncia da inflação Ă meta.
O Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 14,75% a.a., e entende que essa decisĂŁo Ă© compatĂvel com a estratĂ©gia de convergĂŞncia da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuĂzo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisĂŁo tambĂ©m implica suavização das flutuações do nĂvel de atividade econĂ´mica e fomento do pleno emprego.
Para a prĂłxima reuniĂŁo, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da polĂtica monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação.
O ComitĂŞ se manterá vigilante e a calibragem do aperto monetário apropriado seguirá guiada pelo objetivo de trazer a inflação Ă meta no horizonte relevante e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensĂveis Ă atividade econĂ´mica e Ă polĂtica monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.
Votaram por essa decisĂŁo os seguintes membros do ComitĂŞ: Gabriel Muricca GalĂpolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton JosĂ© Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.


