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Bispo de Rio Branco revela expectativas sobre novo papa: “Tomara que siga os passos de Francisco”

Por Suene Almeida, ContilNet

A eleição de Leão XIV como novo papa da Igreja Católica, na última quinta-feira (8), foi recebida com surpresa pelo bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquín Pertiñez. Em entrevista concedida ao ContilNet, nesta sexta-feira (9), ele compartilhou suas impressões sobre o novo pontífice, eleito no segundo dia de conclave após a morte do Papa Francisco, ocorrida em 21 de abril, aos 88 anos.

Dom Joaquín revelou não esperar o nome de Robert Prevost eleito como papa, no entanto, demonstrou admiração após ouvir o primeiro discurso do novo chefe da igreja católica.

O bispo de Rio Branco recebeu com surpresa o nome do novo papa/ Foto: Reprodução

“Todo mundo estava nessa grande expectativa de quem seria o sucessor deste homem tão importante para a história, para a igreja, enfim, para a humanidade inteira. E, de repente, apareceu lá um desconhecido para todo mundo. Ninguém esperava, foi uma surpresa geral para mim também. Embora conhecia ele pelo nome, pelas suas nomeações, não conhecia ele pessoalmente. E não esperava que fosse ele, porque já apareciam tantos nomes mais famosos. Foi uma surpresa, foi muito emotivo. Essas primeiras palavras foram muito bonitas, muito simples, de uma proximidade com o povo”, disse.

O bispo destacou ainda a ligação do novo Papa com o continente latino-americano, o que pode representar uma continuidade do olhar pastoral iniciado por Francisco. “Ele foi bispo no Peru, numa região de maioria indígena. Fala várias línguas, tem uma experiência pastoral muito rica e conhece bem a nossa realidade. Isso é algo bonito e importante para nós”, destacou.

Para o bispo, o momento da eleição teve ainda uma simbologia especial. “Foi no dia 8 de maio, data de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. Ele terminou sua primeira aparição com uma Ave Maria, pedindo a proteção de Nossa Senhora. Um gesto simples, mas muito significativo. Ele é um grande devoto dela”, lembrou.

Legado de Francisco

Apesar de reconhecer que Leão XIV possa trazer seu próprio estilo ao pontificado, Dom Joaquín acredita que ele manterá o legado de seu antecessor em razão da proximidade dos dois papas.

Novo Papa Robert Francis Prevost, que escolheu nome Leão XIV Alberto PIZZOLI / AFP

“Acredito que dará continuidade ao que Francisco iniciou. Ele era próximo de Francisco, era o responsável por um dos dicastérios mais importantes do Vaticano. Com certeza conversavam com frequência. Era homem de confiança”, argumentou.

Entre os pontos que Dom Joaquín espera que sejam mantidos, estão o combate às guerras, a defesa dos mais pobres e a preocupação com o meio ambiente. “Francisco foi o primeiro papa a escrever uma encíclica com base científica, chamando atenção para a crise climática. Também foi firme ao condenar guerras como as da Ucrânia e de Gaza. Ele dizia que era preciso construir pontes, não muros. E ontem, Leão XIV também falou de paz, de diálogo. Tomara que ele seja mais escutado do que Francisco foi”, observou.

O simbolismo do nome Leão

Sobre o nome escolhido pelo novo Papa, Dom Joaquín afirmou que também foi surpreendido. “Não sabemos ainda por que ele escolheu ‘Leão XIV’. Pode remeter ao Papa Leão XIII, que escreveu sobre os problemas sociais da Revolução Industrial, os direitos dos trabalhadores. Também pode ser uma referência a Frei Leão, amigo íntimo de São Francisco”, apontou.

Papa Leão XIV atuou por 20 anos no Peru/ Foto: Antonio Masiello/Getty Images

O bispo ainda compartilhou uma coincidência curiosa que antecedeu a eleição do novo papa.

“Recebi de um ex-aluno um artigo escrito no dia 2 de maio, com o título ‘Leão XIV, te esperamos’. Ele mencionava justamente essa ligação entre São Francisco e Frei Leão. Profético ou não, foi algo que me chamou atenção. Parece que tudo foi conduzido por Deus”, comentou Dom Joaquín.

Por fim, Dom Joaquín se mostrou esperançoso com o futuro do novo pontificado, desejando a Leão XIV um bom trabalho à frente da igreja católica.

“Ele tem tudo para dar certo. Está preparado, conhece a Igreja, conhece o povo, tem fé e sensibilidade. Agora é pedir que Deus o ilumine para que seja um Papa para a Igreja e para toda a humanidade”, concluiu.

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