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Carne legal: Acre teve índice médio de 90,38% em conformidade de frigoríficos auditados pelo MPF

Por Tião Maia, ContilNet

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou, na tarde desta quarta-feira (14), em Brasília, que os frigoríficos que assinaram com a instituição o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal e contrataram auditorias independentes apresentam apenas 4% de irregularidades em suas operações na Amazônia. Enquanto isso, empresas que não contrataram auditorias — e, por isso, tiveram seus dados analisados por verificações automáticas — registram 52% de não conformidade, uma taxa 13 vezes maior.

O TAC da Carne Legal é uma iniciativa do MPF que visa garantir que a carne oferecida ao mercado consumidor/Foto: Reprodução

A conclusão faz parte do segundo ciclo unificado de auditorias na cadeia pecuária da Amazônia Legal. Foram avaliados 89 frigoríficos dos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Realizadas em 2024 e 2025, as auditorias analisaram o cumprimento de critérios socioambientais nas compras de gado realizadas entre janeiro e dezembro de 2022. A apresentação dos resultados está disponível no canal do MPF no YouTube.

O TAC da Carne Legal é uma iniciativa do MPF que visa garantir que a carne oferecida ao mercado consumidor — nacional e internacional — proveniente da Amazônia e do restante do país tenha origem legal, evitando o comércio de animais oriundos de áreas com desmatamento ilegal, trabalho escravo, invasões a unidades de conservação, terras indígenas ou quilombolas.

A divulgação dos dados ocorreu na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília (DF), como parte das ações preparatórias para a participação do MPF na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA), em novembro deste ano.

Resultados por estados

Diferenças de conformidade

Um dos principais achados do ciclo é a disparidade de conformidade. Considerando todos os estados, as auditorias contratadas por frigoríficos signatários dos TACs mostraram apenas 4% de irregularidades. Em contraste, as análises automáticas — aplicadas a empresas sem auditoria — indicaram 52% de não conformidade.

No Pará, com o maior volume de abate, a diferença foi semelhante: 8,24% de irregularidades nas auditorias contratadas, contra 58,3% nas análises automáticas.

O MPF também apresentou dados preliminares sobre fornecedores indiretos (nível 1), que representam um desafio adicional para a rastreabilidade. Nas análises entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021, 38% do gado estava em conformidade, 27% apresentava potencial não conformidade e 35% não tinha correspondência com o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Entre as irregularidades nos fornecedores indiretos, destacam-se: gado com desmatamento (38%), em áreas com embargo (23%), em áreas protegidas (3%) e associado a trabalho escravo (menos de 1%).

Medidas e ações futuras

Para reforçar o controle e ampliar a adesão aos compromissos, o MPF adotará medidas como o ajuizamento de ações contra empresas sem TAC, envio de ofícios a órgãos ambientais para fiscalização prioritária e implementação de um sistema de pré-auditoria para todas as empresas. Também está em desenvolvimento um protocolo de rastreabilidade de fornecedores indiretos.

A coordenação dos trabalhos do TAC da Carne Legal é feita pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do MPF, por meio do Grupo de Trabalho (GT) Amazônia Legal.

A coordenadora da 4CCR, Luiza Frischeisen, avaliou:

“A 4ª Câmara do MPF continuará a impulsionar essa agenda, que não apenas combate o desmatamento e outras ilegalidades na Amazônia, mas também promove justiça socioambiental e fortalece a economia sustentável.”

O procurador da República Ricardo Negrini, integrante do GT, afirmou:

“Os dados são claros: empresas comprometidas e auditadas têm um índice de conformidade 13 vezes maior. É um recado direto ao mercado e aos consumidores sobre quem está, de fato, investindo em uma produção responsável e transparente, essencial para o futuro da floresta e para os objetivos que levaremos à COP30.”

Outro membro do GT, o procurador Daniel Azeredo, acrescentou:

“Enquanto empresas auditadas mostram avanços, as análises automáticas em outras apontam inconformidades alarmantes. O MPF intensificará a responsabilização das empresas que não se adequarem, utilizando todas as ferramentas legais para proteger a Amazônia.”

Além dos procuradores, participaram da apresentação representantes dos Ministérios do Meio Ambiente (MMA), Agricultura e Pecuária (Mapa), e Gestão e Inovação (MGI); da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas); da Abiec, Acripará, CNA, Febraban e de instituições de pesquisa.

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